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A falta que nos faz

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Foto: Strong Runner Chicks*

É impressionante como passamos a dar valor a certas coisas apenas quando perdemos, mesmo que seja uma perda temporária. Todo esse período de isolamento nos fez e faz refletir diariamente sobre muitos detalhes das nossas vidas, sobre as muitas vezes que podíamos ter feito algo e não fizemos e agora ficamos com uma dúvida: quando teremos a oportunidade novamente?

Sempre achei que nós, corredores, sempre fomos privilegiados, pois aprendemos e passamos a dar valor às coisas “pequenas”, pequenas aos olhos de quem não entende, de quem não vivencia a corrida e não entende alguns detalhes como, por exemplo, um segundo mais rápido, 1 km mais longe, uma medalha de participação, uma corrida inteira sem caminhar e por aí vai.

Hoje, percebo que até mesmo nós, em alguns momentos, não valorizamos tudo o que podíamos ou simplesmente nunca nos demos conta de alguns fatores. Hoje, muitos de nós, percebemos como ouvir o som dos passos no asfalto nos acalma, como, por mais contraditório que pareça, o cansaço pós treino nos alegra e traz sensação de missão cumprida e mesmo que você ainda esteja treinando sozinho, na rua ou em casa, e sentindo tudo isso, provavelmente deve lembrar das corridas e treinos em grupos e sentir falta de algo especial que só encontramos lá, como alguém te motivando a todo momento ou até mesmo poder motivar os colegas ou ainda apenas a sensação de saber que tem alguém correndo ao lado, afinal, quantas vezes insistimos no treino só porque tinha alguém do nosso lado? E, tenho certeza, que na maioria das vezes nem foi preciso palavras de incentivo para continuar. Motivamos e somos motivados apenas pela presença de um amigo.

Os eventos de corrida em si nem precisam ser mencionados, retirar kit, encontrar os amigos, correr todos juntos, RPs, pódios, medalhas, sorrisos, fotos, isso são faltas óbvias em nossas rotinas, não tão óbvia assim é a ansiedade pré prova, principalmente da prova alvo, a meditação silenciosa antes da largada, as contas no meio prova, a fé a cada passada e o orgulho na linha de chegada. Ah... e como tudo isso faz falta.

Enquanto esperamos a retomada, a hora certa de revivermos tudo isso, ficamos com os planos e os sonhos adiados, assim como foram a maioria das nossas corridas, treinos, viagens e tudo o mais que envolve nossa vida fora de casa, literalmente.

Muito do que pensamos hoje, é motivado pelo cenário que vivemos, mas na verdade deveria ser algo constante em nossas vidas, é aquele velho ditado “só se vive uma vez”. Espero que quando nossas vidas “voltarem ao normal” possamos lembrar mais disso, possamos festejar mais, valorizar ainda mais cada pequeno detalhe, que possamos ter mais disposição e menos desculpas, que possamos fazer valer a pena o tempo que passou e não aproveitamos, com o tempo que vai passar e aproveitaremos o máximo que puder e, se possível, correndo.

Carpe Diem.

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*Foto: http://www.strongrunnerchicks.com/saturdays-steph-post-race-blues/track-runner-sad/

Autocobrança

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Foto: Globo Esporte*


A corrida de rua é sem dúvida um bem magnífico na minha vida e assim como a grande maioria dos corredores, se me perguntarem o porquê corro, o que ganho com isso, direi pelo menos uns 10 benefícios sem nem parar para pensar. Mas nem tudo na corrida são flores, existem alguns pontos que podem se tornar negativos e que dificilmente as pessoas te contam antes de correr.

Como costumo dizer, a mente é de longe o nosso maior aliado, mas é ao mesmo tempo o nosso pior inimigo, tudo depende de como estamos, principalmente no sentido emocional.

Muitas pessoas acabam entrando para a corrida meio que por acaso, sem grandes pretensões, e eu me enquadro nelas, mas conforme vamos vendo e sentindo nosso progresso, vamos ficando mais confiantes e empolgados com os resultados, passamos assim a criar novas metas, que muitas vezes alcançamos rapidamente e consequentemente virão novas metas, sem nos darmos conta acabamos caindo em um ciclo viciante. Até aí tudo bem, enquanto conseguimos responder a tudo isso, fica tudo perfeito.

O grande problema, é que com o tempo passamos a querer sempre mais, nossos tempos PRECISAM ser melhores, as distâncias PRECISAM ser maiores, e passamos a ter uma autocobrança muito grande, pois não nos conformamos com um resultado ou desempenho menor do que o habitual. Isso começa a aumentar quando percebemos que não estamos conseguindo baixar o tempo, que nos sentimos um pouco mais cansados que antes, correndo a mesma distância de sempre, que não conseguimos acompanhar nosso colega que sempre treinou junto.

Sem querer podemos acabar entrando em um processo contrário do prazer com a corrida, passamos a sentir tensão. Em vez de relaxar, nos sentimos apreensivos, em vez de calmos e com a cabeça livre, nos sentimos preocupados e pressionados por nós mesmo, por uma barreira e por um processo de involução que só nós enxergamos.

Em momentos como esse, precisamos nos desligar completamente de tudo que nos pressiona. Eu, por exemplo, decidi fazer algumas corridas sozinho, sem medir distância corretamente ou estipular um tempo. Precisei lembrar de quando comecei a correr, que na verdade mal conseguia correr, precisei entender e voltar a enxergar aquilo que via no começo, que o que me faz bem é correr, sentir o vento no rosto, ouvir o barulho das pisadas no asfalto, ter a sensação de terminar a corrida e não os números e estatísticas.

Isso não quer dizer que eu não pense em número, que eu não quero evoluir em todos os sentidos possíveis, apenas passei a me cobrar menos. Busco os resultados, mas hoje tenho em mente que o objetivo principal é ter prazer em correr.

Continuo dizendo: criem metas, busquem seus sonhos e objetivos, quebrem seus RP’s, mas se cobrem menos, curta cada momento da corrida sem pressa, sem pressão, sem autocobrança, lembre-se sempre do porquê e de como começou a correr.

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*Foto: http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/saude/noticia/2013/04/coracao-de-atleta-excesso-de-treino-pode-causar-problemas-cardiacos.html

Sucesso na corrida

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Recentemente li um livro, que me fez refletir muito, sobre muitas questões da minha vida pessoal, profissional e até mesmo da corrida, por mais que ele não tenha sido escrito exatamente para essa finalidade. Gostei tanto dele que busquei identificar alguns pontos que pudessem ser associados à corrida. O livro em questão é A sutil arte de ligar o f*da-se, de Mark Manson.

À primeira impressão, o título pode até assustar um pouco, mas o conceito e a visão que ele traz, são bem proveitosos. De maneira geral, o Mark Manson tenta mostra que a única certeza que temos é morte, essa é inevitável para todos nós e vamos da mesma forma que viemos, sem ter nada, sem levar nada, então o que importa de verdade é o que deixamos e fazemos nesse meio tempo. Ter bens materiais como valores fundamentais pode ser completamente degradante, afinal, gastamos tempo e energia com coisas que não servirá para nada no fim e acabamos esquecendo ou não tendo tempo, nem energia para viver, para aproveitar o maior presente que Deus nos deu, a vida.

Como disse no início, a corrida não é nem de perto o foco do livro, mas ele traz alguns bons ensinamentos que podemos pôr em prática mesmo assim, como, por exemplo, escolher as dores que queremos enfrentar, em outras palavras, todos nós passamos por sacrifícios para alcançar nossos objetivos e na corrida não é diferente, se desejamos fazer uma maratona é necessário ceder e enfrentar algumas dificuldades, como acordar bem cedo para treinar, ter certo cuidado com alimentação e hidratação, as vezes até mesmo nos privar de determinados eventos para poder descansar ou treinar mais uma vez. Essas são escolhas nossas e se não estamos dispostos a enfrentá-las é porque no fundo ainda não queremos tanto assim fazer uma maratona. Muitas vezes desejemos a chegada e não o percurso.

Outro tema que me chamou bastante atenção, foi sobre qual valor temos como métrica para medir o sucesso ou fracasso. Essa é uma questão bem interessante, o que define o nosso sucesso e o nosso fracasso é exatamente como o enxergamos, o que achamos que é necessário ter ou ser para se considerar alguém de sucesso ou alguém fracassado. Por exemplo, se eu achar que para ser bom na corrida preciso correr igual ao Paul Tergat, serei sempre uma pessoa frustrada, pois sei que jamais chegarei a tal nível, e garanto que não é falta de otimismo. Por outro lado, se entendo que ser bom na corrida é dar o meu melhor, superar as minhas próprias marcas, será muito mais fácil eu me considerar uma pessoa feliz e “bem-sucedida” na corrida.

A questão aqui não é não sonhar alto, mas sim entender que o sucesso e a felicidade não estão apenas na realização de grandes sonhos, mas sim na trajetória e em cada pequena conquista.

O grande segredo é ter um certo desapego com o pace, distância, pódios, etc., não que você tenha que deixar de buscar melhorar suas marcas, ir em busca dos seus RPs ou deixar de sonhar com pódios, mas sim passar a se cobrar um pouco menos, se decepcionar um pouco menos quando os resultados não vierem e comemorar muito mais quando o menor dos avanços acontecer.

Seja na corrida ou na vida, vamos buscar gastar energias com coisas boas, vivenciar cada km com a felicidade de poder fazer o que tanto amamos e ter em mente que o sucesso só depende de nós. Sejamos autores da nossa história.

Aprendizados da corrida

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Foto: Elite Vale*


Final de ano é tempo de reflexão e falando em reflexão, tem uma frase do Nelson Mandela que gosto muito, “Eu nunca perco. Ou eu ganho, ou aprendo!”. Acredito que essa frase se aplica em todos os âmbitos, pois de tudo tiramos aprendizados, que podemos aplicá-los facilmente nas diversas áreas da nossa vida. A corrida de rua não é uma exceção à regra, através dela podemos aprender, crescer e ser melhores, seja profissional ou pessoalmente.

Se observamos com atenção, perceberemos que existem muitas coisas que aplicamos na corrida ou que simplesmente vivenciamos com ela, que podemos levar como aprendizado para a vida.

Podemos começar com coisas mais fáceis de notarmos e, de certa forma, meio clichês, como a força de vontade e determinação que aplicamos para fazer os nossos treinos, muitas vezes feitos em horas atípicas e condições climáticas completamente adversas, coisas que são normais na corrida, mas que temos dificuldade de levar para outros campos da nossa vida.

Na corrida de rua aprendemos que sempre podemos tirar um pouquinho mais de nós mesmos, que mesmo quando pensamos que não dá mais, percebemos que dá sim, que as vezes quando as pernas parecem travar e o cansaço parece vencer, conseguimos correr com o coração e tirar um sprint final. A persistência e automotivação que empregamos em momentos como esses, é algo fundamental e se aplicada em outros lugares, podemos ter tanto sucesso quanto na corrida.

Na corrida aprendemos a comemorar coisas simples, como alguns segundos a menos num determinado percurso ou alguns metros a mais, uma nova companhia de corrida ou mais uma corrida no nosso calendário, conseguimos comemorar até mesmo o fato de fazer a mesma coisa de sempre. Enquanto isso, na vida temos dificuldade de agradecer as coisas simples que conquistamos no dia a dia e, geralmente, só damos valor aos grandes feitos.

Aprendemos a ser mais gentis, mais educados, mais sorridentes, aprendemos que somos todos diferentes e aprendemos a respeitar nossas diferenças. Precisamos, então, entender que assim como tempos, ritmos e gostos por corridas diferentes, também temos sonhos, habilidades, qualidades e dificuldades diferentes e não é isso que nos faz melhor ou pior do que ninguém.

Meio que sem querer, a corrida nos torna mais humanos, mais felizes, mais simples e tudo o que eu mais desejo é que esse espírito da corrida possa ser compartilhado e somado com o espírito natalino e com o espírito de final de ano. Que no balanço de fim de ano possamos perceber e aprender tudo o que a corrida pode nos ensinar, nas ruas ou fora delas.

Boas festas e boas corridas.
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*Foto: https://www.elitevale.com.br/materias/a-alma-de-um-corredor-de-rua/

Bichinho da corrida

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A corrida de rua possui um linguajar próprio, rico em palavras não tão comuns, como pace, altimetria, drop, longão, etc. Durante muitos anos ouvia sempre falar sobre o bichinho da corrida, sem ao menos fazer ideia do que se tratava. Ficava imaginando o que ele seria e como nos pegaria, como todos diziam. Imaginava como seria se fosse mordido por ele.

Nesse meio tempo, comecei a treinar, correr, pesquisar e ler tudo o que fosse relacionado a corrida de rua. Fui em busca de cada vez mais de mais, de mais marcas, mais distâncias, mais emoções, mais informações.

Percebi que quando corria ficava feliz, sem nenhuma explicação muito óbvia e decidi que talvez fosse o momento de compartilhar isso com outras pessoas. Passei a falar sobre a corrida e incentivar amigos a correr e logo percebi que assim como eu, eles também ficavam felizes sem explicações óbvias.

Não parei por ai, continuei buscando novas aventuras, novos recordes, novas marcas, fiquei cada vez mais fissurado nisso, não conseguia passar um dia sem pensar em corrida, na verdade, era difícil ficar até algumas horas sem pensar, porque se não estava correndo, estava pensando nos treinos, procurando corridas, fazendo planejamentos para elas ou simplesmente lendo algo sobre corrida.

O ambiente da corrida foi me contagiando cada vez mais e tudo que engloba ela, a ansiedade contida nos rostos dos corredores, o clima alegre e amigável, a emoção após cada chegada, o sorriso após cada medalha recebida, a lágrima após cada superação alcançada e o agradecimento aos céus após cada linha de chegada.

Percebi que sentia falta disso nos finais de semanas sem corrida, como se fosse um viciado sedento por sua dose diária de endorfina. Sentia falta de ver e cumprimentar pessoas que nunca tinha visto, agradecer pessoas que nunca conversei e parabenizar outras sem saber nada da sua trajetória.

De repente ouvi de novo sobre o tal bichinho da corrida e lembrei de tudo o que pensava no começo e foi então que percebi que já havia sido mordido por ele, só não tinha dado conta ainda e agora não tem mais volta, não tem mais cura, tenho que me contentar em ser feliz com algo tão simples como é correr.

Corredor político

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Foto: Art Station*

Aparecer em público com frequência durante um curto período de tempo, tentando convencer as si mesmo e aos outros de que está em busca de fazer o melhor, afirma que o seu desempenho é ótimo, faz promessas de mudanças e melhorias, algumas delas chegam até a ser mirabolantes, mas logo em seguida voltam a sumir, sem cumprir as promessas ou dar explicações claras, passa a ser considerada uma pessoa de muitas palavras e pouca ação, muitas vezes chegando a cair no esquecimento. Podemos muito bem dizer que estamos falando de política, mas, na verdade, estamos falando de alguns corredores, os quais podemos chamar de corredor político.

O corredor político, geralmente é uma pessoa cheia de promessas, teorias, números maravilhosos e planilhas bem elaboradas, mas que no final das contas, nunca, ou quase nunca, executa aquilo que prega, que estipula como meta e jamais admite sua falha.

Todos nós corredores traçamos metas e objetivos para a corrida, muitas vezes algumas são maiores do que de fato conseguimos, mas treinamos arduamente todos os dias focados nesse objetivo, é ele que nos alimenta, que nos motiva a querer mais, a buscar mais e dar mais de nós mesmo. Ao contrário do corredor político, que apesar das promessas de mudança e dos vistosos objetivos, treina muito pouco e fica mais a mercê de um milagre do que uma conquista realizada com suor.

Por isso, busque fazer metas e objetivos “palpáveis”, mas se decidir buscar algo aparentemente exagerado, passe a acreditar nisso e buscar isso diariamente. Afinal, resultados só vem com força de vontade, dedicação e empenho. Busque um profissional para te orientar, evite pular ou modificar os treinos da planilha, apenas para deixá-los de maneira mais fácil ou prazerosa de executar, isso é apenas uma forma de auto-sabotagem.

A grande diferença entre alguns corredores e alguns políticos, é que os erros políticos atingem diretamente toda a população e na maioria das vezes, existem diversas pessoas para ajudar a evitar o erro ou a corrigi-lo e a repercussão disso é gigantesca. Por outro lado, os nossos erros na corrida e as nossas falsas promessas, só tendem a prejudicar a nós mesmos, nos deixando cada vez mais longe dos objetivos.

Faça metas conscientes, treine consciente e aproveitando o ensejo, domingo tem eleição, vote consciente.

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*Foto: https://www.artstation.com/artwork/O1Pnb

O que eu ganho com a corrida?

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No dia a dia, nos deparamos muitas vezes, com perguntas como “por que você corre?”, “o que ganha com isso?” ou “por que você corre se nunca ganha?”, e as respostas são as mais variadas possíveis. Tais perguntas, me trouxeram indagações que me fizeram refletir sobre o tema. 

Foi então, que comecei a perceber, que apesar dos inúmeros benefícios cientificamente comprovados, alguns dos nossos principais ganhos são imensuráveis. 

Através da corrida de rua, aprendemos, acima de tudo, que somos todos diferentes, cada um possui um jeito único de ser, cada um têm objetivos e metas específicas, aprendemos não só a aceitar, mas também a respeitar essas diferenças e os interesses individuais. Alguns são mais rápidos, outros mais lentos, alguns correm muito e sem parar, outros poucos e outros revesa corrida e caminhada, cada um no seu limite, mas todos com o mérito e o dever de serem respeitados. 

Aprendemos a incentivar as pessoas, não importa o quão boa ela já seja na corrida ou quão longe ela esteja dos seus objetivos. Percebemos que muitas vezes, meio sem querer, acabamos virando inspiração para alguém, para um filho, um irmão, um amigo, um colega de equipe ou até mesmo um desconhecido perdido no meio de uma corrida qualquer. 

Aprendemos a ser mais gentis, mesmo que inconscientemente, passamos copos de água, uma fruta, damos passagem, oferecemos ajuda, dizemos palavras motivadoras para os outros ou simplesmente um “o cadarço está desamarrado”. Esses são gestos simples, mas que silenciosamente vai se alastrando e nos tornando cada vez mais seres humanos melhores, altruístas e felizes. 

Até mesmo quem acompanha a corrida de fora, passa a ser contagiado por esse “espírito” da corrida. Afinal, todos nós já passamos por um grupo de pessoas aplaudindo, emanando boas vibrações ou dando buzinadas de incentivo. Assim como os staffs, que de maneira singela, muitas vezes nos encorajam com duas palavras, “falta pouco” ou como os fotógrafos, que, meio sem querer, nos fazem sorrir, mesmo que por um mísero segundo, mesmo que seja para esconder uma dor ou um esforço em excesso, para a foto, é um sorriso que ficará registrado. 

A melhor de todas deixei para o final, aprendemos a pensar no próximo, seguramos o passo para que nosso colega nos acompanhe ou aceleramos para estimulá-lo, mudamos nosso trajeto, aumentamos ou diminuímos os kms do treino para ter a companhia de alguém e muitas vezes esquecemos do nosso resultado, simplesmente porque estamos estasiados demais comemorando o resultado de alguém, uma superação ou uma conquista importante de outros. 

É lógico que em tudo existem as exceções às regras, mas esses não merecem ser exaltados, assim não precisamos entrar em detalhes. 

Foi justamente correndo, que percebi que os maiores ganhos da corrida, nem sempre são perceptíveis, pois o que mais ganhamos é vida, simplicidade, cumplicidade, nos tornamos pessoas melhores e mais felizes.

Linha de chegada

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Foto: Blog Educação Física na Mente*

Para quem está de fora, a linha de chegada não é mais do que o final de uma ou de mais uma corrida, porém, para nós corredores, a linha de chegada é muito mais do que o seu sentido literal. Ela muitas vezes representa uma conquista pessoal ou superação física, emocional, etc., muitas vezes, a linha de chegada demonstra e triunfa o resultado de tudo o que se foi trabalhado arduamente durante dias, semanas e meses.

Não é difícil percebermos o quão simbólica é a linha de chegada para um corredor, basta ficarmos alguns minutinhos próximo a ela e logo percebemos gritos, risos, sorrisos, lágrimas, abraços e agradecimentos aos céus, que representam as mais variadas conquistas, um pódio, melhor tempo pessoal, primeira corrida, mais uma corrida, mais uma linha de chegada. Conquistas muitas vezes sem sentido para muitos, mas que nos enchem de alegria, satisfação e orgulho de nós mesmos, afinal, só quem calçou os nossos tênis sabe os trechos que passamos, as subidas que enfrentamos, apenas quem vestiu nossa camisa, sabe o suor que derramamos e ver a linha de chegada é algo indescritível, por isso entendo e muitas vezes me emociono ao ver a emoção de uma chegada.

Vou ainda um pouquinho além e acredito que ao contrário do que muitos pensam, a linha de chegada nem sempre é o final, muitas vezes, ela representa o início, pois é na linha de chegada que muitas vezes definimos novos objetivos, novas metas, novos sonhos, muitas vezes é na linha de chegada que percebemos que tudo o que conquistamos é apenas o começo, uma demonstração do que somos capazes, do que queremos, do que podemos.

Imagino que as vezes os textos pareçam fantasiados demais, principalmente para quem não corre e assim não entende tais sentimentos, mas se duvida de tudo isso, se desafie a cruzar uma linha de chegada, superando desafios pessoais e alcançando coisas jamais imaginadas e então nos diga qual foi a sensação no final.

Para ser bem sincero, acredito que para os corredores não existe um final de fato, a linha de chegada é apenas uma pausa até a próxima linha de chegada e até lá teremos mais suor para derramar, mais chão para correr, mais dias para nos preparar. Afinal, queremos sempre mais, mesmo que o mais seja apenas repetir uma corrida, mesmo que o mais seja apenas continuar fazendo o mesmo de sempre. O que queremos de verdade, é apenas continuar vivendo o que nos faz viver.

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*Foto: http://educacaofisicanamente.blogspot.com.br/2012/04/atletismo-corrida.html?m=1

O poder do esporte

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Ivan Fernández Anaya e Abel Mutai
Foto: Jornalistas Que Correm¹

Vivemos em um mundo cada vez mais intolerante, cada vez menos paciente. Vivenciamos dia a dia cada vez mais cenas de violência e até mesmo onde deveriam ser locais de festa e alegria se tornam verdadeiros campos de guerras, como temos visto constantemente em campos de futebol, por exemplo. Sou apaixonado pelo futebol, ou melhor, sou apaixonado pelo esporte, mas cenas como estas entristecem, e muito, o mundo esportivo, amedrontam e desencorajam espectadores e atletas de bem.

Embora cheguem a manchar o esporte, felizmente, cenas como essas, embora comuns, não são predominantes e chegam a se apequenar quando belas atitudes e exemplos são demonstradas, vistas e compartilhadas mundo afora.

No último final de semana encerrou-se os Jogos Olímpicos de Inverno, em Pyeongchang, na Coreia do Sul, e muito mais do que as inúmeras conquistas, lindas apresentações e histórias de superações, algo em especial chamou a atenção do mundo inteiro, a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, inimigas históricas há décadas, entraram juntas, de mãos dadas, na apresentação e no encerramento dos jogos. Além disso, no hóquei sobre o gelo, jogaram juntas, representando uma única bandeira e mesmo perdendo todos jogos, um único gol, em seu último jogo, foi o suficiente para “explodir” o estádio em festa, a ponto de nem lembrarmos mais quem de fato estava vencendo o jogo e realmente, já nem importava mais quem estava vencendo.

Esse contraste esportivo, me fez refletir sobre a poderosa arma que é o esporte, capaz de unir nações em plena guerra ou dividir uma nação em plena paz. Tudo depende de cada um de nós, de como nos portamos diante dos nossos adversários de competição, como nos portamos diante das nossas perdas, conquistas, frustrações e sucesso, até onde podemos ir, do que conseguimos abrir mão e o quanto respeitamos o próximo.

Um belo exemplo disso, aconteceu em janeiro de 2013, durante uma corrida cross country, em Navarra, quando o queniano Abel Mutai, estava prestes a ganhar a corrida, e parou pouco antes da linha de chegada, pensando que já havia acabado a corrida, logo atrás vinha um espanhol, Ivan Fernández Anaya, que poderia ultrapassá-lo após a distração, mas preferiu alertá-lo sobre o equívoco e conduzi-lo até a linha de chegada, para que, merecidamente, fosse o campeão da prova.

Cenas como essas nos enchem os olhos e nos orgulham de sermos esportistas, nos mostram que o mundo ainda respira e inspira bondade, far play, espírito esportivo ou seja lá como queira chamar.

No esporte o campeão é quem chega em primeiro lugar, mas o vencedor é aquele que consegue inspirar novas pessoas, novas atitudes, novos sonhos e esperanças. Vencedor é aquele que consegue inspirar e incentivar outras pessoas a transformar um mundo melhor.

Sejamos sempre atletas, corredores, jogadores, nadadores, etc., mas acima de tudo, sejamos sempre humanos e sejamos sempre exemplos.
Coreia do Sul e Coreia do Norte na Olimpíadas de Iverno com a bandeira da Coreia Unificafa. Foto: Globo Esporte²
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Referências:

1 - http://jornalistasquecorrem.com.br/2013/12/gentileza-gera-gentileza/
2 - https://globoesporte.globo.com/olimpiadas-de-inverno/noticia/frio-extremo-acidentes-e-coreias-unidas-12-fatos-mais-marcantes-de-pyeongchang.ghtml

Feliz 2018

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E lá se foi mais um ano... E lá se foi 2017. Assim como uma meia maratona, passamos um certo tempo nos preparando, no início parece longa, mas no meio já estamos completamente perdidos em pensamentos ou focados demais no objetivo para dar atenção a cada simples passada, da mesma forma, as preocupações ou foco nos nossos sonhos não nos deixa perceber o passar de cada dia e apenas quando estamos na reta final é que nos damos conta do tanto que corremos, de quantos dias deixamos para trás e nesse exato momento, fazemos a reflexão se de fato alcançamos o que buscávamos, se poderíamos ter nos esforçados mais ou até mesmo sonhado mais.

Sem dúvida, foi um ano de muitos treinos, corridas, conquistas, suor e quilômetros, mas também não foram só flores, sei que houve lesões, dores, incômodos, ansiedades e até mesmo metas não alcançadas. Buscamos incessantemente a glória, mas os obstáculos e percalços fazem parte da corrida, assim como na vida, funcionando ao menos como aprendizado, afinal, da próxima vez temos a oportunidade de melhorar alguns pontos, dar atenção a outros ou simplesmente ter mais confiança em nós mesmos.

Para 2018 faça metas audaciosas, não pegue leve, nem forte de mais, pegue na medida, se desafie a ser a melhor versão de você mesmo, mas um passo por vez, respeite sempre os limites do seu corpo. Sonhar pouco ou sonhar muito gera o mesmo esforço, então sonhe grande, são os sonhos que alimentam a alma, a nossa vida e as nossas corridas, são eles que fazem com que acordemos todos os dias cedo ou fiquemos até um pouco mais tarde, as vezes exaustos, as vezes desanimados, mas sempre esperançosos, por sabermos que o resultado será compensador.

Para 2018 faça metas audaciosas, mas sem pressa de concluí-las, saboreie cada quilômetros, curta cada corrida, comemore cada conquista, compartilhe suas histórias de vitória e superação, pois tenha a certeza que ela tem o poder de animar outras pessoas e inspirar novas histórias e se essas metas audaciosas não forem alcançadas, não tem problema, muitas outras vieram porque mirávamos ela e ela pode continuar sendo nossa meta para o futuro.

Que em 2018 possamos vibrar mais e lamentar menos, que possamos correr mais e descansar na proporção correta, que possamos sorrir mais e chorar apenas de alegria, que possamos ser melhores como corredores, como companheiros na corrida e na vida, como amigos, como pais ou filhos, que em 2018 possamos ser melhores como seres humanos.

Feliz ano novo e um 2018 repleto de alegria, conquistas e quilômetros a todos! 

A vida corrida e a corrida na vida

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Vivemos em um mundo atribulado, onde a vida por si só já é corrida, sem trocadilhos. Acordamos cedo, enfrentamos trânsito ou conduções lotadas, pegamos no batente cerca de 8 horas por dia, passamos minutos ou até mesmo horas preciosas em filas, seja de banco, supermercado, restaurante, etc., e o “pior de tudo isso”, é que para muitos, isso é apenas o começo do dia, afinal, em casa são outras obrigações, outras responsabilidades e mais correria. Apesar disso, no meio de todo esse caos, ainda encontramos um tempinho para enfim relaxar, que para algumas pessoas, em outras palavras, significa correr. Por mais irônico que seja, é na corrida que muitas vezes descansamos, encontramos paz e sossego, colocamos a cabeça em ordem, enquanto as pernas correm, a cabeça lentamente se esvazia, os músculos cansam, os nervos relaxam, a ansiedade e o estresse dão lugares aos sonhos e tranquilidade.

Corremos por prazer, seja pelo prazer de ser mais rápido ou de ir mais longe ou seja apenas pelo prazer de cruzar a linha de chegada. Aos poucos, a corrida entra na nossa vida e passa a fazer parte de nós, sem ao menos darmos conta disso e geralmente nos damos conta quando por alguma lesão ou compromissos do dia a dia, somos “forçados” a ficar um tempo sem correr, esses dias parados são os mais tediosos possíveis e passamos a fazer contagem regressiva para a volta.

Passamos a viver corrida, respirar e transpirar corrida, maioria das vezes intuitivamente. Passamos o dia pensando na hora do treino, a semana planejando a retirada do kit ou a chegada na prova e nas horas de descanso, meio que sem querer, estamos pesquisando quando será a próxima corrida, mais da metade do nosso guarda-roupa é de camisetas de corrida, parte dos nossos quadros são porta medalhas e demais lembranças de cada árdua batalha enfrentada no asfalto, trilha, praia, etc.

Antes de começar a correr sempre achávamos os corredores loucos, por correrem nos horários e climas mais improváveis, com o tempo confirmamos que são loucos, mas agora fazemos parte deles e entendemos o porque dos treinos durante as madrugadas, no meio tarde ou no meio da chuva. Com o tempo não corremos mais de acordo aos nossos compromissos, mas fazemos nossos compromissos de acordo à corrida. Apesar disso tudo, não deixamos de ter vida social, de sair, ir em festas, confraternizar com os amigos seja pelas vitórias da vida ou da corrida, bem, pelo menos a maioria de nós.

Todo corredor sabe que a corrida é viciante e talvez, só talvez, eu já esteja em um caminho sem volta, mas afinal, quem disse que eu queria voltar? Quero continuar aqui respirando motivação e transpirando endorfina, aumentando o número de amigos corredores, como aumento a quantidade de quilômetros na bagagem, sem pressa para chegar, sem um ponto final, mas com várias linhas de chegada.

Thiago Lima

E que venha 2017

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E chegamos ao fim de mais um ano, esse foi tão rápido que parecia um queniano em plena maratona. Foram muitos treinos, corridas, esforços, dedicações, algumas privações, contusões e decepções, mas as medalhas e principalmente as conquistas pessoais, foram sem dúvida, maiores e mais importantes do que qualquer sofrimento, são esses resultados que levaremos para sempre ou, pelo menos, para o próximo ano, afim sempre de superá-los. 

2016 foi um ano marcado de superação para muitos corredores, alguns fizeram sua primeira maratona, meia maratona, passou de 5 para 10 km, ou simplesmente decidiu largar uma vida sedentária e começou a correr, ou até mesmo a praticar outros tipos de esportes, com o intuito de começar uma vida mais saudável, independente de quais foram as conquistas, estão todos de parabéns. 

Para mim, as conquistas relacionadas à corrida foram além das pistas e de um par de tênis, algumas das principais conquistas foi o nascimento do blog, a conquista de novas amizades e a ingressão em um grupo de corrida, além claro, de muito aprendizado sobre vários fatores e curiosidades que englobam o mundo da corrida. 

Para alguns, entramos agora no sprint final de 2016, afinal dia 31 ainda tem corrida, para outros já entramos no day off, momento de relaxar, curtir e comemorar tudo o que foi conquistado e alcançado durante esse tão difícil e árduo ano. 

Assim como na corrida, 2016 passou por uma variação muito grande de altimetria, foram muitos altos e baixos, alguns terrenos foram mais difíceis de percorrer, enquanto outros foram bem mais fáceis, durante o trajeto duvidamos muitas vezes de nossa capacidade, em diversos momentos foi necessário buscar uma ajudinha, um folego extra, para que assim tivéssemos pernas suficientes para seguir em frente e independente do nosso ritmo, teve sempre alguém nos incentivando e motivando a ir cada vez mais longe, nos mostrando que sim, somos capazes de ser melhores e de alcançar os nossos objetivos. Por fim, independente de qual tenha sido o seu percurso, ele está acabando, a linha de chegada é logo ali, é só levantar as mãos em agradecimento e comemorar a chegada, porque logo logo têm mais uma largada, a largada da corrida 2017. 

Boas festas, bons treinos, boas corridas, muitos kms e um excelente 2017 para todos!

O bom é relativo

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Tudo na vida é relativo, o preço, o gosto, o bom, o ideal. Cada ser é dotado de gostos, sonhos e vontades peculiares, cada qual com aquilo que acredita ser o melhor para si, ou simplesmente que o completa. Muitas vezes, vivemos nos baseando naquilo que os outros fazem, querem ou compram, mas mal percebemos que isso são apenas singelas referências, visto que nem sempre o perfeito para um é o perfeito de todos.

O mundo da corrida não foge à regra. A cada dia surgem novos tênis e gadgets com tecnologias cada vez mais avançadas, que prometem uma melhor corrida e/ou acompanhamento da mesma. Isso, na minha opinião, é sim um ótimo avanço na corrida e podem trazer muitos benefícios para os treinos e corridas, porém, não fique preso apenas no mais caro, no que faz maior propaganda ou no mais novo, esses, nem sempre são os ideais para você. 

As empresas de calçados buscam a cada nova edição aprimorar os seus produtos, buscando sempre trazer mais conforto e melhor desempenhos aos atletas, porém, como disse acima, nem sempre o mais caro, o mais novo ou aquele tênis que todo mundo fala, a sensação do momento, será o ideal pra você. Cada pessoa tem um tipo de pisada, uma dinâmica de corrida, no entanto aquele tênis ideal para a maioria pode não ser o seu ideal.

O mesmo digo em relação aos gadgets, são tantos e tão inovadores que realmente dá vontade de ter todos, mas avalie um por um, veja se preenche os requisitos mínimos exigidos por você. Muitas vezes ficamos de olho naquele que foi lançado na última semana ou da marca X que é o mais famoso, mas que possui funções que até desconhecemos ou que jamais utilizaremos, enquanto outros mais velhos ou mais em conta, possuem as funções necessárias.

Acredito ainda, que esse mesmo conceito deve ser aplicados em todos os campos da corrida, como alimentação, suplementação, acompanhamento profissional e médicos em geral. Busque profissionais que te passem confiança, esclareça suas dúvidas com clareza e acima de tudo, seja humano o suficiente para fazer todo o acompanhamento e orientações adequadas.

Se pensarmos bem, devemos aplicar isso até mesmo nas próprias corridas. Afinal, são tantas corridas Brasil afora, e muitas vezes queremos participar da corrida X ou da corrida Y apenas por serem as mais famosas ou populares, sendo que muitas vezes não nos proporcionam uma infraestrutura que desejamos, um percurso ou até mesmo paisagem que gostamos.

Com tudo isso, não quero dizer que devemos optar sempre pelo mais barato, velho ou desconhecido, mas sim, que devemos fazer uma análise criteriosa de tudo. Pesquise, busque avaliações e opiniões, mas mais do que isso, teste, experimente e construa a sua própria opinião.

Correr é uma arte!

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Correr é a arte de manter-se em movimento e ao mesmo tempo relaxado, estar disperso e ao mesmo tempo concentrado, querer chegar logo ao final, mas que a cada dia esse final seja um pouco mais longe.

Correr 5, 10, 21, 42 km ou qualquer outra distância, não é tarefa nada fácil, requer disciplina, força de vontade e determinação. Assim como o artista, para o corredor as vezes é necessário uma inspiração ou motivação, mas após finalizada sua obra de arte, orgulha-se plena e merecidamente pelo seu feito.

Muitas pessoas acreditam que não são capazes de correr, baseado apenas no fato de sentir-se cansado ao tentar alcançar o ônibus ou subir alguns lances de escada. Se você pensa assim, tenho uma ótima notícia: Você também é capaz de correr, alcançar seus objetivos e orgulhar-se de marcas incríveis.

Me faço sempre de exemplo, pois quando comecei a correr, por necessidade, mal conseguia ficar 8 minutos na esteira, com o passar do tempo passei a ter mais resistência e prazer em correr. Foi então, que comecei a ler sobre os benefícios da corrida e mais do que isso, passei a senti-los. Por esse motivo sempre busquei incentivar outras pessoas a conhecerem essa arte que é a corrida e consequentemente desfrutar dos benefícios que ela nos traz. 

O blog Corrida nossa do dia a dia, nasceu justamente com o objetivo de me ajudar a levar os meus pensamentos e sentimentos em relação a corrida ao maior número de pessoas possíveis. Além disso, compartilhar informações úteis e curiosidades desse esporte que cresce a cada dia.

Longe ou perto, rápido ou devagar, isso são meros detalhes, o que importa é desfrutar da arte que é a corrida.


Thiago Silva Lima



Auto sabotagem

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Segunda-feira pode ser considerado o dia das mudanças, ou, pelo menos, seria, se conseguíssemos cumprir parte das nossas promessas. Afinal, uma das coisas que mais ouvimos e as vezes falamos, são promessas de mudanças para a próxima semana, para a próxima segunda-feira, tais como: “semana que vem eu entro na dieta”, “semana que vem começo meu novo projeto”, “na próxima segunda vou pegar firme nos estudos”, essas são apenas algumas das mais diversas e famosas frases que ouvimos diariamente.

Na corrida também é assim, existem sempre aquelas pessoas que prometem mudanças ou melhorias, mas que muitas vezes não passam de meras promessas. Você pode sempre deixar o seu treino para amanhã, para a semana que vem, para o mês que vem, mas precisa ter a consciência de que todo o ganho e melhora também ficarão para depois. A verdade é que se você não fizer hoje, ninguém poderá fazer por você. É Aquela famosa frase “quem quer arruma um tempo, quem não quer arruma uma desculpa”. 

Eu não fujo à regra, muitas vezes deixei de fazer um treino ou de me empenhar um pouquinho mais por uma desculpa qualquer. Vejo isso como uma auto sabotagem, onde o único que sai perdendo sou eu mesmo. Apesar de essas serem as maneiras mais comuns, mesmo que não intencional, não acredito que sejam as únicas formas de se auto sabotar.

Cortar caminho e pausar relógio, são outros exemplos do que considero uma auto sabotagem. Você pode demonstrar um ótimo tempo para as outras pessoas, ou chegar na frente de todos, mas, na verdade, no fundo você sabe que não foi merecedor disso, afinal não fez o que estava proposto. Talvez, uma das maiores auto sabotagem que existe no mundo esportivo, seja profissional ou amador, é o doping, algo que nem precisamos falar muito, pois todos já sabem o quanto é prejudicial, desleal e completamente antidesportivo.

Você não precisa ser melhor que ninguém, não precisa provar nada para ninguém, busque apenas o melhor de si mesmo e assim verás que consegue alcançar todos os seus objetivos, sem nenhum “deslize”. A corrida é uma competição apenas para os atletas profissionais de alto nível, para os demais é apenas um modo de vida, de se sentir bem, de fazer algo de bom para si.

De toda forma, para aqueles que buscam sempre dar um passo à frente, seja melhorando o tempo ou aumentando a distância, a força de vontade e determinação em cada treino é fundamental, sem pular etapas, nem deixar nada para depois.

E aí, vai deixar o treino para amanhã?


Thiago Lima

O que te motiva?

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A cada novo dia o mundo da corrida ganha cada vez mais adeptos. Basta observarmos as ruas e parques da cidade e vamos sempre nos deparar com algumas pessoas correndo, sejam sozinhas, em dupla ou em grupo, sempre terá alguém por ali, com um tênis nos pés, o suor no rosto e muita força de vontade. 

Durante muito tempo, antes de começar a correr, ficava imaginando o que motivava as pessoas a saírem de casa e correrem por ai, sem nenhum motivo aparente. Hoje, depois de alguns anos de corridas e muitos quilômetros deixados para trás, pude não só observar, mas também sentir que motivos existem aos montes e cada um busca neles a força para continuar correndo.

Durante alguns anos de observações, conversas e leituras, pude perceber que os quilinhos a mais e a necessidade de manter o corpo ativo e em forma, são algumas das motivações campeãs, pelo menos como motivações iniciais, pois logo logo o “bichinho da corrida” acaba pegando e consequentemente as motivações passam a ser outras.

Para quem já está acostumado a correr, as motivações passam a ser as mais variadas e excêntricas possíveis. Para algumas pessoas, a motivação é a paz interior, aquele momento só seu, onde podemos pôr a cabeça em ordem e por mais contraditório que pareça, recarregar as energias. Para outras pessoas as medalhas são as grandes motivadoras, na maioria das vezes não pelo objeto em si, mas por tudo o que cada uma delas representam e pela história que carregam. Existem pessoas que a motivação é o fato de poder conhecer lugares novos e maravilhosos a cada nova corrida ou simplesmente poder desafiar seus próprios limites, com corridas mais longas ou situações cada vez mais adversas.

Em meio a tudo isso, notei que ainda não havia feito essa pergunta para mim mesmo, então tive que correr para pensar no assunto, foi quando percebi que a minha maior motivação para correr é a paz interior, a possibilidade de pôr a cabeça em ordem e a sensação de dever cumprido que sinto no final de cada treino ou corrida, sem contar a possibilidade de me superar a cada dia, mostrando para mim mesmo que o meu melhor sempre estará por vir.

Para tudo aquilo que fazemos, em todos os âmbitos da nossa vida, existe sempre uma motivação, seja no trabalho, no lazer, com a família ou com os amigos, há sempre alguma coisa te motivando a seguir em frente ou a mudar o rumo. O importante é que, se bem administradas, as motivações podem se tornar um grande aliado na busca de melhores desempenhos e resultados, para isso, evite apenas a euforia e os excessos, no mais, tênis nos pés e boa corrida.

E você, o que te motiva?


Thiago Lima

Corredor: Uma metamorfose ambulante

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Ah as mudanças, são tantas que muitas vezes nem percebemos. Somos sem querer uma metamorfose ambulante. Estamos sempre mudando, desde mudanças de opiniões, gostos, sonhos, pensamentos e objetivos, a até mesmo as mudanças físicas, mudamos de cidade, de casa, engordamos, emagrecemos e assim segue a vida.

Em meio a tantas mudanças, a corrida não tem como passar ilesa. São mudanças a todo momento. Hoje tá frio, amanhã tá calor, um dia é treino na rua, outro dia no parque, um final de semana é corrida de trilha e no final de semana seguinte é na praia. Por mais simples que sejam e por mais acostumados que estejamos com essa rotina, não deixam de ser mudanças e nós temos que nos adaptar e readaptar a todos os momentos, a cada nova mudança.

As mudanças pessoais e profissionais podem (e provavelmente irão) interferir diretamente nas práticas esportivas, muitas vezes precisamos nos adequar a um novo local de treino, a um novo horário, novos ambientes, novas companhias, etc., e isso serve muitas vezes para nos preparar para as diferentes corridas que enfrentaremos pela frente. Afinal, quem não sonha correr em outras cidades, outros estados, ou até mesmo em outros países? Pois é, mudanças são necessárias sempre e nos preparam para um futuro qualquer.

Mudanças muitas vezes pode significar coisas boas, como por exemplo, o nosso desempenho vai além do que esperávamos, fazendo assim com que possamos fazer novos planejamentos e metas mais otimistas para os próximos treinos e corridas. Por outro lado, uma lesão pode trazer mudanças negativas para os planos e metas, atrasando muitas vezes a nossa planilha de treino ou fazendo com que aquela corrida tão sonhada fique para o próximo ano.

Vivemos em uma época em que as mudanças são inevitáveis, positivas ou negativas, imperceptíveis ou drásticas, acontecem a todo momento, temos o privilégio de praticar um esporte de fácil adaptação e que traz benefícios independentes das condições climáticas, lugares, horário, etc., só não exagere para não acabar tento uma mudança desagradável e forçada, no mais se adapte e readapte sempre, só não pare de correr.


Thiago Lima