I Corrida das Paineiras

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Foto do acervo da Instituto Eleonora Mendonça

A Corrida das Paineiras foi um das primeiras corridas realizadas dentro de uma área florestal no Brasil, em 1979 e quem nos conta um pouco disso é a Eleonora Mendonça, pioneira da corrida de rua no Brasil.

Foi como atleta do Fluminense que comecei a treinar e conhecer as Paineiras, um local ideal para treinos de corrida. Foi lá que o grande técnico Frederico Hottstacher durante a fase de trabalho de base orientava e comandava a equipe de meio fundo para os ‘tiros’ de 1000 e 2000 mts.. Mais tarde como corredora de longa distancia as Paineiras continuou sendo o meu local preferido para os treinos de resistência.

Nas primeiras corridas de rua a PRINTER ofereceu percursos variados nas orlas de São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo e Flamengo. Continuando com a inovação, a PRINTER realiza em Março de 1979 uma corrida num local e percurso bastante diferenciado dentro da Floresta da Tijuca – A I CORRIDA DAS PAINEIRAS – 8 KM. Largada e chegada no Hotel das Paineiras.

Pela primeira vez contamos um patrocínio de corrida - a Coca-Cola Refrescos. A empresa foi a primeira patrocinadora das corridas da PRINTER e continuou nos apoiando durante muitos anos.

I CORRIDA DAS PAINEIRAS teve 250 participantes que vieram que várias partes do Rio de Janeiro como também de São Paulo. O vencedor da prova foi João Alves de Souza, o Passarinho, da ADPM de São Paulo.

Após esta primeira, outras edições da CORRIDA DAS PAINEIRAS foram realizadas com pequenas modificações no percurso, sempre pensando em proporcionar um local ideal para os corredores.

Em comemoração aos 40 anos da I Corrida das Paineiras, no dia 24/03/2019 será realizado um encontro, no Rio de Janeiro, com corrida e caminhada, organizado pelo Instituto Eleonora Mendonça. Para maiores informações: https://www.institutoeleonoramendonca.org.br/inscricao.

Eleonora Mendonça

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Foto: Rabbits¹

Hoje, as mulheres representam aproximadamente metade dos corredores de rua no Brasil. Em pesquisa realizada pela USP, em 2016 elas representavam 42% e já eram maioria em provas como as meias maratonas.

Mas nem sempre foi assim, as mulheres vieram conquistando espaço, no decorrer do tempo, com muita luta e suor. Como já retratamos aqui no blog, tudo começou em 1966 com a Roberta Gibb e em 1967 com a Kathrine Switzer. No Brasil, a Eleonora Mendonça é a mulher que leva o título de pioneira da corrida de rua, ela foi a primeira mulher brasileira a participar de uma maratona olímpica, porém a história dela é muito maior do que “apenas” de uma corredora.

Antes de começar a correr, a Eleonora joga tênis, porém, em uma aula de ginástica, rompeu o ligamento cruzado, perdeu a movimentação lateral e sem se recuperar por completo, decidiu abandonar o esporte. Foi então, que em 1971, enquanto fazia o mestrado de Educação Física, em Boston, decidiu começar a correr e nunca mais parou.

Ao voltar para o Brasil, a Eleonora começou a treinar ao redor do campo de futebol do Fluminense e meio que sem querer, acabou chamando a atenção “e foi então convidada a participar do Campeonato Sul-americano de Atletismo de 1973, no Chile, onde seria a única mulher a disputar a prova dos 1.500m rasos”¹. Mas por conta da Ditadura Pinochet, a competição aconteceu apenas no ano seguinte, o primeiro passo de uma carreira vitoriosa.

Desde então, Eleonora foi recordista brasileira e sul-americana em todas as distâncias entre os 1.500m e a maratona. Como no início dos anos 70 não havia corridas para mulheres no Brasil, participava apenas de provas internacionais, foi então que em 1978, começou a organizar corridas de rua no Brasil, com o intuito de fazer a inclusão das mulheres na corrida de rua e, justamente por isso, em 1981, realizou no Rio de Janeiro a primeira corrida feminina da América Latina. A corrida fez tanto sucesso, que na sua 4ª edição, em São Paulo, bateu o recorde mundial de mulheres inscritas, foram mais de 6 mil inscrições.

Em 1979, foi eleita presidente do Comitê Internacional de Corredores, que com muita luta fizeram o Comitê Olímpico Internacional (COI) incluir as provas de 3.000m e os 400m com barreira, além da maratona feminina nos Jogos Olímpicos, o que aconteceu a partir de 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Em paralelo a essa luta pelos direitos das mulheres, pela inclusão delas e igualdade no mundo do esporte, ela continuava correndo e treinando forte, assim, entrou ainda mais na história, se tornando a primeira mulher brasileira a participar de uma Maratona Olímpica, justamente em Los Angeles em 1984.

A luta não parou por ai, o “comitê resolveu abrir um processo de discriminação de gênero contra o COI e a Federação Internacional de Atletismo. Esperamos a realização da primeira maratona em um Mundial, em Helsinque, 1983, e soltamos a bomba. O impacto foi tão grande que, três meses depois, foi anunciada a inclusão dos 10.000m na Olimpíada de Seul-1988 e dos 5.000m em Atlanta-2000. A última, os 3.000m com obstáculos, só entrou em Pequim-2008. Demorou muito, mas organizamos um grande movimento feminista no esporte. Talvez o maior”², afirmou em entrevista a “O Globo”.

Além de tudo, foi a criadora de uma das maratonas mais desejadas do Brasil, a Maratona do Rio de Janeiro. Hoje, ela preside o Instituto Eleonora Mendonça que tem como objetivo “resgatar, preservar registros históricos esportivos, divulgar e organizar eventos esportivos, culturais e sociais e traçar estratégicas de ação para o desenvolvimento do esporte e da sociedade”³.

A Eleonora é um exemplo vivo da luta da mulher pela igualdade, pelos direitos e pela democracia, ela realizou muitos sonhos pessoais e através disso permitiu que muitas outras mulheres pudessem sonhar alto, por isso e por tudo o que não coube nessas poucas palavras, meus parabéns pela história e meu muito obrigado por tudo o que fez e faz pelo esporte.

E a todas as mulheres, um feliz Dia Internacional da Mulher.

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Sucesso na corrida

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Recentemente li um livro, que me fez refletir muito, sobre muitas questões da minha vida pessoal, profissional e até mesmo da corrida, por mais que ele não tenha sido escrito exatamente para essa finalidade. Gostei tanto dele que busquei identificar alguns pontos que pudessem ser associados à corrida. O livro em questão é A sutil arte de ligar o f*da-se, de Mark Manson.

À primeira impressão, o título pode até assustar um pouco, mas o conceito e a visão que ele traz, são bem proveitosos. De maneira geral, o Mark Manson tenta mostra que a única certeza que temos é morte, essa é inevitável para todos nós e vamos da mesma forma que viemos, sem ter nada, sem levar nada, então o que importa de verdade é o que deixamos e fazemos nesse meio tempo. Ter bens materiais como valores fundamentais pode ser completamente degradante, afinal, gastamos tempo e energia com coisas que não servirá para nada no fim e acabamos esquecendo ou não tendo tempo, nem energia para viver, para aproveitar o maior presente que Deus nos deu, a vida.

Como disse no início, a corrida não é nem de perto o foco do livro, mas ele traz alguns bons ensinamentos que podemos pôr em prática mesmo assim, como, por exemplo, escolher as dores que queremos enfrentar, em outras palavras, todos nós passamos por sacrifícios para alcançar nossos objetivos e na corrida não é diferente, se desejamos fazer uma maratona é necessário ceder e enfrentar algumas dificuldades, como acordar bem cedo para treinar, ter certo cuidado com alimentação e hidratação, as vezes até mesmo nos privar de determinados eventos para poder descansar ou treinar mais uma vez. Essas são escolhas nossas e se não estamos dispostos a enfrentá-las é porque no fundo ainda não queremos tanto assim fazer uma maratona. Muitas vezes desejemos a chegada e não o percurso.

Outro tema que me chamou bastante atenção, foi sobre qual valor temos como métrica para medir o sucesso ou fracasso. Essa é uma questão bem interessante, o que define o nosso sucesso e o nosso fracasso é exatamente como o enxergamos, o que achamos que é necessário ter ou ser para se considerar alguém de sucesso ou alguém fracassado. Por exemplo, se eu achar que para ser bom na corrida preciso correr igual ao Paul Tergat, serei sempre uma pessoa frustrada, pois sei que jamais chegarei a tal nível, e garanto que não é falta de otimismo. Por outro lado, se entendo que ser bom na corrida é dar o meu melhor, superar as minhas próprias marcas, será muito mais fácil eu me considerar uma pessoa feliz e “bem-sucedida” na corrida.

A questão aqui não é não sonhar alto, mas sim entender que o sucesso e a felicidade não estão apenas na realização de grandes sonhos, mas sim na trajetória e em cada pequena conquista.

O grande segredo é ter um certo desapego com o pace, distância, pódios, etc., não que você tenha que deixar de buscar melhorar suas marcas, ir em busca dos seus RPs ou deixar de sonhar com pódios, mas sim passar a se cobrar um pouco menos, se decepcionar um pouco menos quando os resultados não vierem e comemorar muito mais quando o menor dos avanços acontecer.

Seja na corrida ou na vida, vamos buscar gastar energias com coisas boas, vivenciar cada km com a felicidade de poder fazer o que tanto amamos e ter em mente que o sucesso só depende de nós. Sejamos autores da nossa história.

Treino de tiros

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Foto: Chicago Athete Magazine*

Ao contrário do que muitos pensam, treino de corrida não é apenas calçar o tênis e sair por ai correndo. Para cada tipo de necessidade e/ou objetivo, existem treinos específicos, seja para aperfeiçoar a biomecânica da corrida, aumentar a velocidade ou distância, ou até mesmo ganhar resistência em determinadas etapas ou circunstâncias da corrida. Dentre os diversos tipos de treinos que existem, hoje, vamos ver um pouco mais sobre o treino de tiros e a sua real importância para a corrida de rua.

Para quem ainda não está familiarizado com os termos, o treino de tiros, conhecido também como intervalado, consiste basicamente em correr uma determinada distância predefinida no menor tempo possível, obviamente, quanto maior a distância a ser percorrida, menor a intensidade, o mais importante é que os tiros sejam realizados numa velocidade maior do que sua velocidade natural de treinos e corridas, de forma que o atleta saia da zona de conforto.

Geralmente os treinos de tiros são realizados em distâncias como 100, 200, 500 e 1000m e entre cada tiro é realizado um intervalo de descanso, passivo (parado) ou ativo (caminhando ou trotando), de 30 a 60 segundos, apesar disso, o treino pode ser realizado em qualquer distância ou tipo de descanso, basta que isso seja alinhamento e orientado por um profissional, que fará de acordo as necessidades de cada atleta.

Esse tipo de treino, faz com que “os mecanismos de aporte de sangue (e, consequentemente, de transporte de energia e oxigênio) aos músculos e as trocas gasosas pelos pulmões (retirada do gás carbônico e absorção do oxigênio) se tornem mais eficientes”², isso faz com que um dos principais objetivos do treino seja alcançado, a melhora da resistência anaeróbia. “Além disso, ajuda a ganhar velocidade na corrida e auxilia o atleta numa remoção mais eficiente na concentração de ácido lático”¹.

Outro benefício do treino é em relação à mecânica da corrida, já que ao treinar tiros, o corpo exige mais força e, para isso, “um número maior de fibras musculares é recrutada. Além disso, na maioria das pessoas as articulações são mais movimentadas, distribuindo a força em amplitudes maiores de movimento. Ou seja, a pessoa passa a usar uma maior capacidade muscular e articular, aumentando a eficiência dessas duas estruturas”¹.

Embora o treino de tiros seja utilizado principalmente por atletas de curta distância que desejam diminuir a velocidade, o fato desse tipo de treino fazer com que o organismo passe a aproveitar melhor o oxigênio e a distribuir mais facilmente os nutrientes, faz com que esse seja um treino válido para corredores de qualquer distância.

Apesar de tantos benefícios, o treino de tiros exige muito da parte cardiorrespiratória, por isso, além de exames em dia é indispensável um acompanhamento profissional.

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Referências

Síndrome da plica sinovial do joelho

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Foto: Ativo¹

Como já tratamos aqui no blog algumas vezes, o joelho é uma das partes do corpo mais exigidas durante a corrida e, consequentemente, uma das que mais sofrem, não à toa, está entre as principais regiões lesionadas. Hoje, vamos ver um pouco mais sobre a síndrome da plica sinovial do joelho.

A membrana sinovial reveste todo o joelho, é responsável por lubrificar a articulação e assim diminuir o atrito. Por sua vez, a plica, conhecida também como prega, é uma sobra da membrana, um resquício embrionário, que “deveria ser absorvida pelo organismo no terceiro ou quarto mês de gravidez. Ainda assim, está presente no joelho de mais de 70% das pessoas”¹.

Apesar do alto percentual, geralmente a plica sinovial permanece assintomática, em outras palavras, sem causar nenhum tipo de dano, isso porque “esse excesso da membrana pode ocorrer em três regiões da articulação do joelho: suprapatelar (acima da patela), mediopatelar (na parte medial do joelho) e infrapatelar (abaixo da patela)”². Essa sobra acima ou abaixo da patela, não traz nenhuma preocupação, porém quando essa sobra é na região medial, as chances de sofrer com a lesão são elevadas.

“Possivelmente devido ao atrito com o fêmur, a membrana sinovial se inflama, fica mais espessa e apresenta o que os médicos chamam de ‘plica patológica’ e ocorre a síndrome da plica sinovial”¹, que tem como principais sintomas, dores e estalos no joelho durante a movimentação, as dores podem ser piores pela manhã e amenizadas no decorrer do dia, além de inchaço e, em casos mais severos, até mesmo limitação do movimento e a sensação de falhas do joelho ao correr ou caminhar.

O tratamento passa por bastante repouso, anti-inflamatórios, aplicação de corticosteroide, crioterapia, fisioterapia, fortalecimento dos músculos do membro inferior e em casos mais graves, pode ser feita uma artroscopia para retirada da plica. O retorno a corrida deve ser feito de forma gradativa, acompanhado de um profissional e após melhora da lesão.

Assim como em outras lesões, a prevenção nada mais é do que a dosagem da intensidade e quantidade de treinos, uso de tênis adequados para a corrida, fortalecimento muscular e aquecimento antes das atividades.

Como podemos ver, os sintomas são bem parecidos com o de muitas outras lesões do joelho, mas tratamento e recuperação, são diferentes, justamente por isso, a consulta com um ortopedista se torna indispensável para exames adequados e diagnósticos precisos.

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Referências:

1 - https://www.ativo.com/por-que-doi/sindrome-da-plica-sinovial/

A corrida transformando vidas

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Foto: Arquivo pessoal do Paulo Sakanaka*

"- Força! Respira! Já tá chegando!"

Ana Garcez grita para um grupo de quatro policiais militares na pista de atletismo do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, em São Paulo. Ela está treinando o grupo para a corrida de São Silvestre. Será a primeira corrida destes policiais.

Ana Luiza Garcez é uma das figuras mais emblemáticas das corridas de rua no Brasil e tem uma estória peculiar. Conhecida pelo apelido de "Animal", foi abandonada pela mãe ao nascer, em um caixa de sapatos. Foi levada para a Febem e morou lá até os 18 anos. Depois que atingiu a maioridade, foi encaminhada pela instituição para trabalhar como doméstica em uma casa na zona norte de São Paulo. Trabalhou por 5 meses sem receber salário. No sexto mês, aproveitando que a patroa tinha ido viajar, encheu 3 malas com roupas, joias, sapatos, comida da patroa e fugiu. Foi parar no centro de São Paulo, distribuiu tudo que tinha nas malas com os moradores de rua e ficou por lá. Morou nas ruas por quase 20 anos.

Durante este tempo, usou drogas, roubou, sofreu tentativas de estupro, bebeu e quase morreu muitas vezes. Diz ter usado cocaína, maconha, heroína, além cheirar cola e praticar diversos furtos nas lojas da região central. Aliás, vivia correndo da polícia. Segundo ela, foi fugindo da polícia que aprendeu a correr. A história de sua vida podia ter terminado ali: com um tiro, numa overdose ou simplesmente, abandonada.

Certo dia, passando em frente a uma loja de departamento, assistiu a uma cena do filme "Carruagens de fogo". A partir daquele momento, sentiu que correr era uma coisa que ela gostaria de fazer. Comentou seu desejo a um grupo de amigos da rua e um deles, em tom de deboche, desafiou-a a correr a Maratona de São Paulo, que ocorreria em poucos dias. Ela topou o desafio. Assim, aos 36 anos, sem preparo ou equipamento adequado (usou roupas e tênis furtados), ela terminou a maratona, segundo ela, "sabe lá Deus como". E nunca mais parou.

Em 1998, ao fazer alguns exames para ver se estava com AIDS, os médicos descobriram que ela tinha uma capacidade alta de absorção de oxigênio. Com este diagnóstico de "corredora em potencial", correu algumas provas por conta própria e, após aparecer em um programa do Gugu, no SBT, sobre moradores de rua, revelou seu desejo de ser corredora. O então secretário de esportes de São Paulo, Fausto Camunha, que assistia ao programa, pediu que seus assessores a encontrassem para lhe oferecer ajuda. Convidou-a a morar no Centro Olímpico da prefeitura e ofereceu toda a estrutura para ela poder treinar adequadamente, com nutricionista, dentista, assistência social e fisioterapeuta. Daí, para os resultados começarem a aparecer, foi só um pulo.

"Animal" é recordista brasileira na categoria máster (a partir de 40 anos) nos 800, 1 500 e 5 000 metros. Foi campeã de sua categoria na São Silvestre de 2003 e vice-campeã geral da Meia Maratona de Buenos Aires (Argentina) em 2004, com tempo de 1h22. Também foi campeã geral na Meia Maratona de Santiago, no Chile, em 2006. Foi vice-campeã máster na Meia Maratona da Disney em 2007 e já correu provas na África do Sul, em várias cidades nos EUA e em outros lugares do mundo. Mesmo aos 55 anos, ela continua correndo em alto nível, ganhando várias corridas em sua categoria e chegando entre as primeiras colocadas no geral.

Recentemente, ela foi campeã duas vezes no Gay Games de Paris, o maior evento esportivo LGBT do mundo. Ganhou a medalha de ouro do Brasil nos 10K, com um tempo de 40min57 e também nos 5K, com um tempo de 20m16.

Ironicamente, a ex-moradora de rua, que fugia da polícia, hoje corre atrás deles, dando as ordens, na pista de atletismo:

"- Levanta estes braços! Corrige esta postura! Não desiste!"

A corrida deu um sentido à vida de Ana Garcez e corrigiu um rumo errante que, certamente, não terminaria bem. Hoje, ela ainda luta por um lugar digno para morar, pois está correndo o risco de ser despejada do quarto que mora há 18 anos, embaixo da arquibancada do ginásio do Ibirapuera, com o plano de privatização do complexo, prometido pelo governo paulista. De qualquer forma, a história de sua vida é inspiradora e mostra o quanto o esporte pode transformar positivamente a vida de uma pessoa. 

Por Paulo Sakanaka
*A foto foi tirada por Paulo Sakanaka no evento "Pão de Açúcar Kids", de 2018

Osteopatia aliada à corrida de rua

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Foto: Fisio Prevent*

No meio do esporte as lesões acabam se tornando comuns, afinal, todo atleta, profissional ou amador, já passou por algum tipo de lesão, independente de mais leve ou mais grave. Assim, procurar os tratamentos eficazes e as prevenções corretas se torna fundamental. A osteopatia é uma terapia que pode facilmente ajudar os atletas nessas questões.

A osteopatia é uma técnica de terapia manual, criada em 1874, pelo médico americano Andrew Taylor Still, que busca, acima de tudo, o equilíbrio do corpo. “O tratamento busca fazer com que o corpo trabalhe em homeostase, ou seja, que seja capaz de se autoequilibrar. ‘Quando começamos a adoecer, essa capacidade de equilíbrio está desregulada por algum motivo. Assim, na sessão, buscamos encontrar e tratar a causa principal do desequilíbrio e não os sintomas’”¹, afirmou a osteopata Diane Fernandes.

Ela é geralmente utilizada em duas situações, para o tratamento de lesões e como método preventivo, uma vez que o equilíbrio corporal ajudará a evitar o surgimento de novas lesões ou até mesmo o agravamento de lesões já existentes e muitas vezes ainda não identificadas.

No caso de tratamento de lesão, “é feita uma avaliação minuciosa, com objetivo de diminuir as tensões musculares ou nos tendões; corrigir algum bloqueio articular, visceral e/ou craniano existente que possa estar causando dor. Também são realizadas correções necessárias nos captores posturais: olhos, ouvidos, boca e pés. Assim, a osteopatia otimiza o processo de cura do organismo e auxilia na melhora de suas funções”².

Já nos casos onde a osteopatia é utilizada como método preventivo, é realizado exercícios que vão melhorar os movimentos específicos do esporte. “Além disso, o especialista pode encontrar e propor soluções para fatores que tendem a gerar dores ou uma futura lesão”² e pode ainda auxiliar na identificação de outros importantes fatores, como tênis mais adequado, pisada correta, dentre outros fatores ligados à biomecânica da corrida.

A osteopatia é recomendada para qualquer pessoa, seja atleta ou não, a quantidade de sessões varia de acordo ao objetivo de cada pessoa e em casos de lesões, de acordo ao grau da lesão, as sesões duram aproximadamente 60 minutos e não existem contraindicações, apenas ressalvas que devem ser observadas pelo profissional, “por exemplo, em um paciente com osteoporose, não podemos fazer técnicas manipulativas. Em situações assim, utilizamos outras técnicas”¹.

Caso você ainda não conheça essa técnica e se interesse, busque profissionais habilitados para a função, que segundo a regulamentação do Coffito (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), no Brasil, a osteopatia deve realizada por fisioterapeutas que possuem pós-graduação em osteopatia.

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Referências: