quarta-feira, 19 de julho de 2017

O dia que virei maratonista



Todo corredor, por mais amador que seja, possui metas e objetivos pessoais, sonhos de marcas ou corridas específicas. Todos desejam alcançar a glória, nem sempre a da mídia ou do pódio, mas a SUA glória, aquela conquista que mostrará que valeu a pena toda a jornada, todo o suor e esforço gasto a cada treino, mesmo que aos olhos da elite não seja, nem de perto, uma performance espetacular. 

A 3ª Maratona de Campinas, aconteceu no último domingo (16/07), mas na verdade, para mim ela começou muito antes, há aproximadamente um mês, quando todo o foco, treino e preparação passou a ser única e exclusivamente para ela, para a realização de mais um grande sonho, o de então me tornar maratonista. 

A preparação foi dura, regada dos mais variados tipos de treinos, como subida, tiro, longão, etc., junto com muita leitura e conversa com amigos, em busca de dicas e estratégias para chegar ao fim e bem, se possível (rs). Mas nada disso conseguiu prever o quão duro e difícil seria o final de prova, muito menos o quão satisfeito, feliz e emocionado eu ficaria. 

O domingo amanheceu com o céu limpo e a temperatura agradável, melhor condição de corrida que essa, seria impossível. A minha animação estava em alta, que junto com a animação dos meus companheiros de corrida, formou o clima ideal. Empolgados, saímos todos juntos, conversando, deixando que as palavras e as passadas acalmassem a ansiedade, transformando-a em realidade. Com o passar dos Kms, me distanciei um pouco dos meus colegas e a corrida se tornou então solitária, a luta para vencer o monstro da maratona agora era sozinho, mas fui salvo muitas vezes pelo meu professor e companheiros de grupo de corrida, que de bicicleta, foram nos prestar todo e qualquer apoio que precisássemos. 

Os primeiros 21 Kms foram fáceis e dentro do esperado, começava achar que conseguiria concluir com certa facilidade. Ledo engano. O cansaço começou a dar sinais por volta do Km 25 e começou a bater mais forte a partir do 29. Mas foi nos Kms 32 e 33 que encontrei a maior de todas as dificuldades, cãibras nas duas pernas, a dor era tão intensa que neste momento percebi que na verdade nunca tinha tido cãibra na vida, fui socorrido pelo professor, que a essa altura me acompanhava de perto, e por um caminhante anônimo, que parou sua atividade para prestar auxílio. Os últimos 10 Kms se transformaram numa verdadeira luta, variando entre corrida, trote, caminhada e cãibras, sem contar o psicológico já abalado que me dizia a todo instante que não chegaria no fim, que deveria desistir e talvez fosse a decisão mais sensata, como escrevo constantemente, sempre respeite o seu limite

Insistente, determinado e sonhador, foi assim que consegui ir em frente, passo após passo, até ver a linha de chegada, deixar as lágrimas rolarem e os soluços atrapalharem a respiração, acompanhado de perto por amigos que aguardavam a chegada e chutando pra longe os pensamentos negativos. A essa altura não tinha mais meta, objetivo ou tempo ideal, venci e isso era tudo o que importava, os abraços e sorrisos dos meus amigos e companheiros de equipe me diziam isso, os parabéns e felicidades da minha esposa e familiares confirmaram. 

Quero aqui expressar meus agradecimentos ao André Saidell, da Drogaria Popular de Sumaré, por ter ajudado com que esse sonho se tornasse real e pela companhia em todo o processo de preparação e na corrida, agradeço também aos outros companheiros de treino e corrida Heros, Hugo, Juari e Valter. Meus agradecimentos também ao Carlos Eduardo (Du), Gabriel e Sérgio pelo suporte incondicional que nos deram durante toda a maratona, assim como A Academia pela tenda e recepção pré e pós prova. Meu muito obrigado ao professor Nilson Ventura, por tudo, desde o incentivo nos treinos, ao suporte prestado durante a corrida, me acompanhando em mais da metade do percurso, inclusive nos momentos mais difíceis. Por fim, gostaria de agradecer a toda a minha família e todo o grupo de corrida Top Team, pela torcida, apoio e incentivo a cada dia. Graças a todos vocês hoje eu posso dizer: Eu sou maratonista! 

A título de curiosidade, o meu tempo foi 4:53:52. 



quarta-feira, 5 de julho de 2017

Correr com gripe: Pode ou não?

Foto: Ativo¹

Todos nós já sabemos dos inúmeros benefícios da corrida, dentre eles, o de aumentar a imunidade do corpo, deixando todo o organismo mais resistente e menos suscetível a algumas doenças. Porém, mesmo muitos corredores sendo verdadeiros super-heróis sem capas, nenhum esta livre de, vez ou outra, ser acometido por gripes ou resfriados, que muitas vezes vem em momentos inoportunos, como a reta final de preparação para uma grande corrida. Então surge aquela dúvida: Posso ou não correr? 

Antes de mais nada, é preciso entender que a gripe é um infecção por vírus, que provoca em nosso organismo um quadro inflamatório, como resposta de defesa ao agente agressor. O problema aqui, é que a atividade física também provoca inflamações em nosso organismo, desta vez, com o objetivo de reparar as microlesões decorridas do exercício. Com isso, o corpo tende então a ficar ainda mais debilitado, uma vez que o sistema imunológico precisará trabalhar “em dobro”.

Apesar disso, alguns estudos apontam, que em estágios mais fracos da gripe, manter a atividade física de esforço moderado (até 60% do esforço máximo) tende a reforçar “a defesa imunológica do organismo, enquanto o exercício acima dessa intensidade impacta negativamente a imunidade porque libera cortisol, substância com ação anti-inflamatória que barra a atividade das células do sistema imune, responsáveis pela proteção do corpo”². 

A infecção gerada pela gripe “pode ser favorecida, por exemplo, por condições climáticas adversas e alta intensidade de treino. Saiba, então, que treinos seguidos somados a uma alimentação pobre e noites com pouco descanso representa uma combinação perigosa. Debilitam o sistema imunológico”¹.

Resumindo bem o assunto, se o que você tem é apenas um resfriado ou gripe leve, a corrida esta sim liberada e pode até fazer bem, mas é preciso tirar um pouco o pé do acelerador, pois as atividades devem ser mais leves. Por outro lado, se a gripe “bateu forte” ou tiver sinais de febre, fraqueza ou dores musculares, nem precisa pensar duas vezes, deve-se abrir mão do treino, descansar e aguardar a recuperação. Nesse caso, as atividades podem ser retomadas assim que todos os sintomas desaparecerem e devem ser retomadas de forma gradativa, retornando à intensidade e volume habitual, apenas cerca de uma semana depois.

Durante todo esse período sabático, a alimentação e hidratação se tornam ainda mais fundamentais para a manutenção do bom funcionamento do organismo e aceleração da recuperação. Aliás, hidratação,alimentação e descanso são alguns dos pontos essenciais para o bom rendimento na corrida, tê-los sempre na proporção correta, ao invés de apenas quando “obrigado”, é a melhor maneira de prevenção.

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Referências: