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Vanderlei Cordeiro de Lima

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Site: Vanderlei de Lima¹

Hoje, 04 de julho de 2019, Vanderlei Cordeiro de Lima, um dos maiores maratonistas da história do Brasil, completa 50 anos.

Nascido em Cruzeiro do Oeste, interior do estado do Paraná, Vanderlei Cordeiro de Lima tem um longo e vitorioso currículo, entre suas principais conquistas estão o bicampeonato dos Jogos Pan-americanos ( Winnipeg 1999 e Santo Domingo 2003) e as Maratonas de Hamburgo (2004), Tóquio (1996) e Reims (1994), nessa inclusive tem uma história curiosa, já que havia sido contratado para ser coelho na prova até o kn 20, mas se sentiu tão bem que acabou concluindo e vencendo a maratona.

Apesar de títulos tão grandiosos e importantes, foi nos Jogos Olímpicos de Atenas, 2004, que o Vanderlei teve a sua maior conquistas e ganhou também os holofotes do mundo inteiro.

Liderando a prova mais nobre dos Jogos Olímpicos até o km 35, ele acabou sendo agarrado e empurrado para fora da pista pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan, tal atitude acabou tirando completamente sua concentração e os poucos segundos que tinha de vantagem sobre seus concorrentes acabou se dissipando.

Apesar desse infeliz episódio, que fez, inclusive, com que fosse então ultrapassado pelo italiano Stefano Baldini e pelo norte-americano Meb Keflezighi, Vanderlei deixou o seu espírito esportivo falar mais alto e com o seu tradicional “aviãozinho” e sob aplausos de um estádio lotado, cruzou a linha de chegada em 3º lugar, ganhando então a medalha de bronze.

A sua atitude em não ter abandonado a prova foi considerada tão nobre, que Vanderlei recebeu do Comitê Olímpico Internacional, a medalha Pierre de Coubertin, uma premiação única e especial “destinada a atletas que demonstram elevado grau de esportividade e espírito olímpico durante a disputa dos Jogos. A medalha não tem relação com o desempenho técnico do competidor, mas sim, com suas qualidades morais e éticas demonstradas durante situações difíceis ou inusitadas, acontecidas durante as disputas”¹.

Para se ter uma ideia do tamanho da honraria, a medalha de Pierre de Coubertin, até hoje, foi concedida a apenas 21 atletas, desses, 3 receberam título póstumo.

O reconhecimento pelos seus feitos e pelo seu espírito esportivo foram também motivos de torná-lo o responsável por acender a pira olímpica, no estádio do Maracanã, para a abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

A mim, corredor amador, só resta agradecer por tudo o que ele fez pelo esporte, por elevar ainda mais esse esporte que tanto amo e além de engrandecer nossa nação e parabenizá-lo por sua história, conquistas e pelos seus 50 anos.

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Referências:

Espinafre e o doping

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Foto: Novo Dia Notícias*


Durante muitos anos o espinafre foi tido como um super alimento, por trazer inúmeros benefícios para a corrida, inclusive, já falamos sobre isso alguns meses atrás aqui no blog. Popeye estava certo, o espinafre realmente dá força extra, e até demais, tanto que hoje, essa força e benefícios começam a ser contestados e o espinafre pode entrar na lista dos alimentos proibidos no esporte.

O Instituto de Farmácia da Universidade Livre de Berlim, finalizou recentemente um estudo, no qual testaram e comprovaram que a substância ecdisterona, substância química presente no espinafre, afeta em demasia o desempenho físico.

Durante os estudos, que teve, inclusive, apoio da Wada (Agência Mundial Antidoping), 46 atletas foram testados durante 10 semanas, “alguns dos participantes receberam placebos e, outros, cápsulas de ecdisterona contendo o equivalente a até 4 quilos de espinafre cru por dia”¹ e o que foi percebido, é que os atletas que receberam as cápsulas de ecdisterona tiveram suas forças físicas aumentadas em até 3 vezes mais.

Esse aumento significativo, foi surpresa até mesmo para os pesquisadores, como afirma Maria Parr, do Instituto de Farmácia da Universidade de Berlim, em entrevista às emissoras ARD e ARTE "Nossa hipótese era de que veríamos um aumento no desempenho, mas não esperávamos que fosse tão grande"¹.

Através desse estudo, o Instituto recomendou a Wada que inclua a substância na lista de substâncias proibidas no esporte. Porém, apesar de todo esse esforço, tal atitude só deve ser tomada pela Wada “após uma investigação mais aprofundada sobre quanto o uso da ecdisterona é difundido no esporte profissional”¹.

Vale a pena lembra que os efeitos positivos do espinafre para a saúde continuam sendo absolutamente válidos, o que está em questão é o grande efeito positivo que ela, ou melhor, a substância nela presente, pode oferecer ao atleta, já que pode se caracterizar uma certa vantagem. Se isso vai acontecer ou não nos próximos meses ou anos, não sabemos. A nós, só resta aguardar os próximos capítulos. 

I Corrida das Paineiras

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Foto do acervo da Instituto Eleonora Mendonça

A Corrida das Paineiras foi um das primeiras corridas realizadas dentro de uma área florestal no Brasil, em 1979 e quem nos conta um pouco disso é a Eleonora Mendonça, pioneira da corrida de rua no Brasil.

Foi como atleta do Fluminense que comecei a treinar e conhecer as Paineiras, um local ideal para treinos de corrida. Foi lá que o grande técnico Frederico Hottstacher durante a fase de trabalho de base orientava e comandava a equipe de meio fundo para os ‘tiros’ de 1000 e 2000 mts.. Mais tarde como corredora de longa distancia as Paineiras continuou sendo o meu local preferido para os treinos de resistência.

Nas primeiras corridas de rua a PRINTER ofereceu percursos variados nas orlas de São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo e Flamengo. Continuando com a inovação, a PRINTER realiza em Março de 1979 uma corrida num local e percurso bastante diferenciado dentro da Floresta da Tijuca – A I CORRIDA DAS PAINEIRAS – 8 KM. Largada e chegada no Hotel das Paineiras.

Pela primeira vez contamos um patrocínio de corrida - a Coca-Cola Refrescos. A empresa foi a primeira patrocinadora das corridas da PRINTER e continuou nos apoiando durante muitos anos.

I CORRIDA DAS PAINEIRAS teve 250 participantes que vieram que várias partes do Rio de Janeiro como também de São Paulo. O vencedor da prova foi João Alves de Souza, o Passarinho, da ADPM de São Paulo.

Após esta primeira, outras edições da CORRIDA DAS PAINEIRAS foram realizadas com pequenas modificações no percurso, sempre pensando em proporcionar um local ideal para os corredores.

Em comemoração aos 40 anos da I Corrida das Paineiras, no dia 24/03/2019 será realizado um encontro, no Rio de Janeiro, com corrida e caminhada, organizado pelo Instituto Eleonora Mendonça. Para maiores informações: https://www.institutoeleonoramendonca.org.br/inscricao.

Eleonora Mendonça

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Foto: Rabbits¹

Hoje, as mulheres representam aproximadamente metade dos corredores de rua no Brasil. Em pesquisa realizada pela USP, em 2016 elas representavam 42% e já eram maioria em provas como as meias maratonas.

Mas nem sempre foi assim, as mulheres vieram conquistando espaço, no decorrer do tempo, com muita luta e suor. Como já retratamos aqui no blog, tudo começou em 1966 com a Roberta Gibb e em 1967 com a Kathrine Switzer. No Brasil, a Eleonora Mendonça é a mulher que leva o título de pioneira da corrida de rua, ela foi a primeira mulher brasileira a participar de uma maratona olímpica, porém a história dela é muito maior do que “apenas” de uma corredora.

Antes de começar a correr, a Eleonora joga tênis, porém, em uma aula de ginástica, rompeu o ligamento cruzado, perdeu a movimentação lateral e sem se recuperar por completo, decidiu abandonar o esporte. Foi então, que em 1971, enquanto fazia o mestrado de Educação Física, em Boston, decidiu começar a correr e nunca mais parou.

Ao voltar para o Brasil, a Eleonora começou a treinar ao redor do campo de futebol do Fluminense e meio que sem querer, acabou chamando a atenção “e foi então convidada a participar do Campeonato Sul-americano de Atletismo de 1973, no Chile, onde seria a única mulher a disputar a prova dos 1.500m rasos”¹. Mas por conta da Ditadura Pinochet, a competição aconteceu apenas no ano seguinte, o primeiro passo de uma carreira vitoriosa.

Desde então, Eleonora foi recordista brasileira e sul-americana em todas as distâncias entre os 1.500m e a maratona. Como no início dos anos 70 não havia corridas para mulheres no Brasil, participava apenas de provas internacionais, foi então que em 1978, começou a organizar corridas de rua no Brasil, com o intuito de fazer a inclusão das mulheres na corrida de rua e, justamente por isso, em 1981, realizou no Rio de Janeiro a primeira corrida feminina da América Latina. A corrida fez tanto sucesso, que na sua 4ª edição, em São Paulo, bateu o recorde mundial de mulheres inscritas, foram mais de 6 mil inscrições.

Em 1979, foi eleita presidente do Comitê Internacional de Corredores, que com muita luta fizeram o Comitê Olímpico Internacional (COI) incluir as provas de 3.000m e os 400m com barreira, além da maratona feminina nos Jogos Olímpicos, o que aconteceu a partir de 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Em paralelo a essa luta pelos direitos das mulheres, pela inclusão delas e igualdade no mundo do esporte, ela continuava correndo e treinando forte, assim, entrou ainda mais na história, se tornando a primeira mulher brasileira a participar de uma Maratona Olímpica, justamente em Los Angeles em 1984.

A luta não parou por ai, o “comitê resolveu abrir um processo de discriminação de gênero contra o COI e a Federação Internacional de Atletismo. Esperamos a realização da primeira maratona em um Mundial, em Helsinque, 1983, e soltamos a bomba. O impacto foi tão grande que, três meses depois, foi anunciada a inclusão dos 10.000m na Olimpíada de Seul-1988 e dos 5.000m em Atlanta-2000. A última, os 3.000m com obstáculos, só entrou em Pequim-2008. Demorou muito, mas organizamos um grande movimento feminista no esporte. Talvez o maior”², afirmou em entrevista a “O Globo”.

Além de tudo, foi a criadora de uma das maratonas mais desejadas do Brasil, a Maratona do Rio de Janeiro. Hoje, ela preside o Instituto Eleonora Mendonça que tem como objetivo “resgatar, preservar registros históricos esportivos, divulgar e organizar eventos esportivos, culturais e sociais e traçar estratégicas de ação para o desenvolvimento do esporte e da sociedade”³.

A Eleonora é um exemplo vivo da luta da mulher pela igualdade, pelos direitos e pela democracia, ela realizou muitos sonhos pessoais e através disso permitiu que muitas outras mulheres pudessem sonhar alto, por isso e por tudo o que não coube nessas poucas palavras, meus parabéns pela história e meu muito obrigado por tudo o que fez e faz pelo esporte.

E a todas as mulheres, um feliz Dia Internacional da Mulher.

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Emil Zatopek

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Foto: GQ Globo*

Hoje é o dia do maratonista e nada melhor do que comemorar esse dia relembrando um pouco da história de um dos maiores maratonistas de todos os tempos, Emil Zatopek, um tcheco, que se tornou uma lenda e entrou para a história do atletismo.

Emil Zatopek nasceu em 19 de Setembro de 1922, em Koprivnice, na Moldávia do Norte. O mais novo de seis irmãos, não teve vida fácil e ainda criança foi obrigado a abandonar a escola para trabalhar em uma fábrica de calçados e ajudar a família a levantar fundos. Dificuldades como essas o tornaram um menino persistente e batalhador.

Em um dos seus primeiros contatos com a corrida Zatopek participou, sem treinos, de uma “corrida popular de estrada. Surpreso, classifica-se em segundo lugar. Descobre que tem qualidades para singrar como corredor e passa a treinar, sozinho, ao fim da tarde, após dez horas de trabalho”¹.

Em 1946, então com 23 anos, foi selecionado pela primeira vez a participar de uma competição internacional, o Campeonato da Europa realizado em Oslo, e acabou conquistando a 5ª colocação, nos 5 mil metros. Dois anos depois, participou dos seus primeiros Jogos Olímpicos, em Londres, conquistando o seu primeiro ouro olímpico, nos 10 mil metros, e prata nos 5 mil metros. No ano seguinte, em 1949, Zatopek bateu os seus primeiros recordes mundiais, nos 10 mil metros, com as marcas de 29min28seg e 29min21seg.

Mas isso era apenas o começou de sua fascinante trajetória no mundo da corrida, suas conquistas até aqui demonstravam apenas um pouco do que ele era capaz. Em 1952, nos Jogos Olímpicos de Helsinque, se tornou o primeiro e único atleta até hoje, a conquistar o ouro nas provas de 5 mil metros, 10 mil metros e a maratona, como se não fosse feito suficiente, todas as conquistas foram com recorde mundial e um “detalhezinho” a mais, essa foi a primeira vez que ele correu uma maratona. Não atoa, passou a ser conhecido como a locomotiva humana.

Em 1953, Zatopek veio ao Brasil e conquistou a tão famosa e tradicional Corrida de São Silvestre. Ao longo da sua vida, colecionou mais de 20 recordes mundiais e diversos prêmios. Famoso no mundo pelos seus feitos inéditos e estilo peculiar de corrida, com “braços e pernas descompassados, uma expressão facial que parecia estar sofrendo horrores”², veio a falecer no dia 22 de novembro de 2000, mas o seu nome e os seus feitos ficarão para sempre na história.
"Um corredor deve correr com sonhos em seu coração, não com dinheiro em sua carteira"
 Emil Zatopek

Feliz dia do maratonista!
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Referências:
*Foto:https://gq.globo.com/GQ-no-podio/noticia/2016/07/emil-zatopek-locomotiva-humana-que-fez-historia-nos-jogos-de-helsinque.html
1- https://www.record.pt/modalidades/atletismo/detalhe/emil-zatopek-a-locomotiva-humana
2 - http://www.surtoolimpico.com.br/2016/05/surto-historia-quando-emil-zatopek.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Emil_Z%C3%A1topek

7 de Agosto: Dia do maratonista

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Foto: O Globo

Correr 42,195 km, não é nada fácil e quem já se aventurou nessa longa e difícil batalha sabe muito bem como é. Embora a corrida seja feita em algumas horas, na verdade é uma corrida de dias, semanas e meses, afinal a preparação, física e mental, requer tempo e dedicação.

Hoje, 7 de agosto, é considerado o dia mundial do maratonista. Esse dia não foi escolhido aleatoriamente, o grande responsável por essa escolha é o etíope Abebe Bikila. Nascido em 7 de agosto de 1932, Abebe Bikila foi o primeiro atleta africano a ganhar uma medalha de ouro e o primeiro atleta da história a ganhar duas maratonas olímpicas, em Roma e Tóquio, em 1960 e 1964 respectivamente, é assim considerado um dos maiores maratonistas de todos os tempos, a ponto de ter o seu aniversário como dia do maratonista.

A sua trajetória de glória, foi marcada por algumas curiosidades. A começar pelos Jogos Olímpicos de Roma (1960), evento em que não estava inscrito para participar, porém, de última hora, com o avião praticamente pronto para partida, Abebe Bikila precisou substituir Wami Biratu, atleta etíope que havia quebrado o tornozelo durante uma partida de futebol.

Como se a inscrição de última hora não fosse o bastante, após provar os poucos pares de tênis disponibilizados pela Adidas, patrocinadora dos Jogos na época, Bikila não se sentiu confortável com nenhum, decidindo assim, correr descalço, como sempre treinara. A prova contou com 69 atletas e pela primeira vez, aconteceu durante a noite e pela primeira vez um negro africano ganhava uma medalha de ouro, de quebra, conseguirá o recorde mundial com 2h15m16s. Bikila tornara-se então herói nacional.

Seis semanas antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio (1964), Bikila foi operado com urgência, devido a um apêndice, deixando assim a sua participação nos Jogos em aberta. Porém, se recuperou e participou da prova, mais uma vez venceu, mais uma vez bateu o recorde mundial, dessa vez com 2h12m12s e tornando-se o primeiro bicampeão olímpico da história.

No intervalo entre as duas olimpíadas, Bikila ganhou outras 4 maratonas, chegando a ficar cerca de um ano e meio sem competir. Em 1963, na maratona de Boston, Bikila ficou em 5º colocado, sendo essa a única maratona que ele completou e não ganhou.

Para os Jogos Olímpicos do México, em 1968, Bikila foi novamente inscrito, porém, devido a uma contusão no joelho, foi obrigado a abandonar a corrida no quilômetro 17, deixando a vitória para o seu compatriota Mamo Wolde, que após a prova afirmou que se não fosse a lesão, Bikila com certeza seria campeão mais uma vez.

Em 1969, Bikila sofreu um acidente de carro, que o deixou paralítico e não conseguiu reverter o quadro, mesmo após cirurgias na Inglaterra. Em 23 de outubro de 1973, aos 41 anos de Abebe Bikila faleceu devido a uma hemorragia cerebral, consequência do acidente de 4 anos antes. 75 mil pessoas acompanharam o enterro do seu herói e o Imperador Selassie declarou um dia de luto oficial em toda a Etiópia.

A vida de luta, determinação e dedicação de Abebe Bikila, demonstra como é o espírito de um maratonista. Não é apenas cruzar a linha de chegada, é poder olhar pra trás e dizer “eu venci”.

Parabéns a todos os maratonistas!

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Referências:

Foto: http://blogs.oglobo.globo.com/pulso/post/hoje-o-dia-do-maratonista-506145.html
http://www.suacorrida.com.br/sua-historia-finisher/7-de-agosto-dia-do-maratonista/

Gabrielle Andersen e a força da mulher

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Raras são as pessoas que nunca viram essa imagem acima, raras são as pessoas que não admiraram e exaltaram a força dessa mulher. Seu nome? Gabrielle Andersen, atleta suíça, até então com 39 anos, em 1984 foi para Los Angeles disputar a primeira maratona feminina nos Jogos Olímpicos e acabou entrando para a história dos Jogos, para a história da maratona e para a história da humanidade.

Ao contrário do que muitos pensariam, ela não ganhou a prova e nem chegou perto de um pódio, para ser mais exato, Gabrielle Andersen ficou em 37ª das 44 competidoras que participaram da prova. Porém, o que a tornou “campeã” e inesquecível foi a sua força, persistência e bravura diante de grandes adversidades.

Após percorrer mais de 40 km, Gabrielle foi acometida por “um quadro grave de hiponatremia (queda brutal do sódio no sangue) por provável falta de reposição com isotônicos, aliada ao calor ambiente elevado. Isso lhe provocou fortes alterações cardiovasculares, metabólicas e cerebrais”¹. Aliado a esse já agravado quadro, ela teve fortes cãibras na perna esquerda, o que a fez se “arrastar” durante aproximadamente 400 m.

Devido a sua idade, esta era a sua primeira e última chance de completar uma maratona olímpica e como qualquer tipo de assistência implicaria na sua desclassificação, recusou assim qualquer tipo de auxílio. Diante deste quadro, os médicos apenas a acompanharam, verificaram a presença de sudorese,  o que indicava que o corpo tinha líquido, minimizando os riscos.

A atitude dela, é, ainda hoje, reprovada por muitos atletas e profissionais da área de saúde, afinal colocou em risco sua integridade física e psicológica, podendo levar para o resto da vida sequelas graves. 

Felizmente, não foi o que aconteceu. Pelo contrário, ela teve uma ótima e rápida recuperação. Mesmo assim prefere minimizar o rótulo de heroína, como já afirmou em entrevista: “Não sei se posso me considerar uma heroína, mas reconheço que aquele se tornou um momento histórico. Era a primeira vez que as mulheres disputavam uma maratona olímpica e isso chamou muito a atenção. Era o momento de provar que nós, mulheres, podíamos competir e, mesmo com alguns problemas, terminar a prova”². 

Não venho fazer lobby para que todos sem deem ao máximo, ao limite, até porque acho isso completamente desnecessário e arriscado. Gabrielle era uma atleta profissional e estava cercada de pessoas completamente competentes para enxergar até onde é possível permitir tais atitudes. Porém, acredito que a mensagem que ela passou ao mundo foi muito maior e até foge do ambiente esportivo. Ela demonstrou ao mundo a força de uma mulher e até onde ela é capaz de chegar quando tem em si a força e determinação para vencer, não outra pessoa, mas sim os maiores dos adversários, a barreira psicológica e a barreira do preconceito.

Gabrielle mostrou ao mundo, que assim como qualquer homem, um a mulher pode e vai chegar até o fim e vencer. 

Feliz dia internacional da mulher! 


Texto dedicado a todas as mulheres, corredoras ou não e em especial, para as mulheres da minha vida, minha mãe (Eliana), minha esposa (Adriana) e minha irmã (Laila)!

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Referências:

1 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriela_Andersen-Schiess
2 - https://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/07/30/heroina-mais-famosa-da-historia-olimpica-diz-por-que-nao-se-aguentava-em-pe.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maratona#Maratona_feminina
http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2016/07/suica-volta-ao-estadio-onde-quase-desmaiou-na-maratona-olimpica-de-84.html

A história da São Silvestre

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Foto: São Silvestre¹

Está chegando o dia de uma das provas mais tradicionais, queridas e desejadas do Brasil. No dia 31 de dezembro, a cidade de São Paulo receberá a 92ª Corrida Internacional de São Silvestre. Para entrar no clima, vamos conhecer um pouco da história e curiosidades da corrida.

A corrida de São Silvestre foi idealizada pelo jornalista e advogado Cásper Líbero, que ao realizar uma viagem a Paris, em 1924, ficou maravilhado com uma corrida noturna, onde os corredores carregavam tochas durante o percurso. Assim, decidiu promover no Brasil uma corrida noturna, que seria realizada exatamente à meia-noite do dia 31 de dezembro do mesmo ano e ganhou o nome de São Silvestre em homenagem ao Santo do dia.

Em sua primeira edição, a corrida contou com 60 inscritos, onde apenas 48 correram e destes, apenas 37 foram oficialmente classificados, já que segundo a regra do evento, seriam classificados apenas os atletas que cruzassem a linha de chegada no máximo 3 minutos após a chegada do vencedor, que nessa primeira edição foi o Alfredo Gomes, que completou os 8,8 km em 33:21.

Até o ano de 1944 apenas atletas brasileiros participavam das corridas. Em 1945 com o fim da Segunda Guerra Mundial, alguns atletas da América do Sul, passaram a ser convidados pela organização para participarem da competição. Com o sucesso das primeiras edições internacionais, em 1947 a organização passou a aceitar inscrição de atletas de todo o mundo.

O ano de 1975 foi decretado pela ONU, como o Ano Internacional da Mulher, aproveitando esse momento, a organização decidiu então fazer a primeira São Silvestre com participação feminina, que desde o início foi aberta para mulheres de todo o mundo, tanto que a primeira campeã foi alemã-ocidental Christa Vahlensieck.

Desde a sua primeira edição até o ano de 1988, a corrida foi realizada sempre a noite, com largada por volta das 23:30, a fim de que o vencedor chegasse por volta da meia-noite. Porém, em 1989, a fim de cumprir as determinações da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), a corrida passou a ter a largada no período da tarde e alguns anos depois durante a manhã.

Desde o início a São Silvestre passou por diversos percursos, com distâncias diferentes, a mais curta delas foi entre os anos de 1942 e 1944 que teve percurso de 5,5 km. Já entre os anos de 1980 e 1989, teve a sua maior distância até então, 12,64 km. Mais uma vez, visando adequações junto à IAAF, em 1991, o percurso foi alterado para 15 km, distância mínima exigida pela Federação e que perdura até hoje. Com isso a São Silvestre passou a integrar o calendário internacional de provas de rua.

A São Silvestre pode se orgulhar de ser um dos poucos eventos desportivos que jamais deixou de ter uma edição realizada, mesmo durante a Revolução Constitucionalista de 1932 ou a Segunda Guerra Mundial. Isso talvez mostre a grandiosidade do evento e a importância mundial pode ser percebida através dos números, passando dos 60 inscritos em 1925 para 25 mil em 2011 e estima-se cerca de 30 mil corredores para a edição deste ano².

Com o passar dos anos a corrida ganhou tanta projeção mundial, que passou a integrar o calendário turístico da cidade de São Paulo e hoje se tornou o sonho de muitos atletas percorrer os tão famosos 15 km.

Para todos que forem correr, esta é a reta final de preparação, boa corrida e acima de tudo, boa diversão!

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Referências:

1 - http://www.saosilvestre.com.br/
2 - http://revistacontrarelogio.com.br/blogs/ultimas/category/sao-silvestre/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Corrida_Internacional_de_S%C3%A3o_Silvestre#Vencedores
http://historiadomundo.uol.com.br/idade-moderna/a-historia-da-corrida-de-sao-silvestre.htm

1966, um passo da mulher na corrida

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Desde o início da história humana, a mulher sempre foi privada de certos privilégios, funções, lazeres, etc. e acompanhamos no decorrer da história que foram muitas as lutas por direitos e condições iguais, lutas que persistem até os dias de hoje.

Com a corrida não foi diferente, assim como nos jogos olímpicos, as corridas, inicialmente só poderiam ser competidas por homens. Foi então que em 1966, aos poucos tudo começou a mudar. Neste ano, Roberta Gibb tentou se inscrever na maratona de Boston, mas teve a inscrição recusada, pois os organizadores alegaram que seria impossível uma mulher completar tal prova. Como não foi oficialmente aceita, Roberta ficou atrás de arbustos e entrou na corrida quando parte dos atletas já tinham passado pela largada da prova, ela tentou se esconder em trajes masculinos, mas foi logo reconhecida pelos participantes, que para seu espanto a apoiaram e incentivaram, assim, ela concluiu a prova em torno de 3h21m. Roberta participou da corrida nos 2 anos seguintes, também de forma extraoficial.

Roberta Gibb durante a Maratona de Boston em 1966

Um ano depois, em 1967 e também na maratona de Boston, outra mulher decidiu entrar para a história das corridas e da luta pelo direito da mulher. Kathrine Switzer, com apenas 20 anos, se tornou a primeira mulher a correr uma maratona com um número oficial. Isso tudo por um pequeno “deslize” da organização, que ao divulgar a competição e as regras, não fizeram nenhuma restrição à participação de uma mulher na corrida, desta forma Kathrine se inscreveu na corrida como K. V. Switzer, o que ajudou a organização a não reconhecer uma mulher entre os corredores até o momento da largada.

No início da corrida Kathrine teve o apoio de alguns participantes, mas foi a organização que não gostou nada da sua presença e tentou expulsá-la da prova ainda nos primeiros quilômetros, quando um fiscal tentou tirá-la da corrida à força. Porém, o seu namorado Tom Miller, com 115 kg, conseguiu empurrar o fiscal, deixando assim Kathrine, com seu número de peito 261, com o caminho livre para que concluísse a prova em torno de 4h20m. Mesmo inscrita e concluindo a prova Kathrine acabou tendo a sua presença não confirmada oficialmente pela organização da prova.

Kathrine Switzer durante a Maratona de Boston em 1967

Apesar de toda a repercussão e de terem concluído a prova, Roberta e Kathrine, não conseguiram convencer a organização da capacidade e da força feminina e foi somente em 1972 que as mulheres de fato foram aceitas e reconhecidas como maratonistas, podendo assim participar oficialmente dos eventos, com direito a número de peito e premiação.

Desde então, a participação feminina nas corridas de rua e maratonas tem aumentado constantemente, na maratona do Rio, em 2015, por exemplo, as mulheres foram quase metade dos participantes na prova de 21 km, aproximadamente 30% na prova de 42 km e cerca de 63% na prova de 6 km¹. Esses números apenas evidenciam a força e a capacidade da mulher, elas continuam fazendo jus a tudo o que vem conquistando e a tudo que ainda conquistarão.

Feliz dia Internacional da Mulher!

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1 - Máquina do esporte, Maratona do Rio vê crescimento acentuado de participação feminina. Disponível em <http://maquinadoesporte.uol.com.br/artigo/maratona-do-rio-ve-crescimento-acentuado-de-participacao-feminina_28704.html>. Acessado em 07 de março de 2016.

Referência:

Globo esporte, Kathrine Swizer: conheça a primeira mulher a correr a Maratona de Boston. Diposnível em <http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/noticia/2012/03/fique-por-dentro-da-historia-da-atleta-americana-que-aos-20-anos-desafiou-regras-da-organizacao-da-prova-e-foi-quase-expulsa-por-um-dos-diretores.html>. Acessado em 07 de março de 2016.

Guia do estudante. Disponível em <http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/curiosidades-historicas/tag/dia-da-mulher/>. Acessado em 07 de março de 2016. 

Wikipédia, Maratona de Boston. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Maratona_de_Boston>. Acessado em 07 de março de 2016.

A história da maratona

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Fonte: Blog 300 Spartan Warriors¹
Estátua em homenagem a Fidípedes localizada na estrada da cidade de Maratona (Grécia)


Muitas são as lendas e histórias que cercam a origem da tão famosa e querida corrida de rua, a maratona, que tem exatos 42,195 km.

Em uma das histórias mais conhecidas sobre sua origem, conta que em 490 a.C., na Primeira Guerra Médica, em uma batalha travada na cidade de Maratona (Marathónas), os persas haviam jurado que após vencer a batalha, marchariam até Atenas, violariam todas as mulheres e sacrificariam todos os filhos. Para evitar tal acontecimento os gregos deram ordem às suas mulheres para matarem os seus filhos e suicidarem-se caso a notícia de vitória não chegasse em 1 dia.

Os gregos ganharam a batalha, que demorou mais do que o esperado, então com medo que suas mulheres executassem o plano, o general Milcíades ordenou ao seu melhor corredor, o soldado Fidípedes (Pheidippides), que levasse a notícia até Atenas. Assim Fidípedes correu aproximadamente 40 km e chegando na cidade, devido a exaustão, conseguiu apenas dizer “vencemos” e morreu em seguida.

Segundo algumas histórias, antes do início da batalha, Fidípedes percorreu cerca de 240 km, até a cidade de Esparta, em apenas dois dias em busca de reforços para vencer a guerra, hoje esse caminho é palco da ultramaratona de Spartathlon, que tem percurso de 246 km.

Se a história é verdadeira ou não, é difícil sabermos, o fato é que nos Jogos Olimpíadas da Grécia de 1896, conhecida como os primeiros jogos olímpicos da era moderna, ocorreu a primeira maratona da história, idealizada pelo filósofo francês Michel Bréal em homenagem ao soldado Fidípedes e sua corrida da cidade de Maratona até Atenas, esse mesmo percurso foi utilizado como cenário da primeira corrida.

Durante os 12 anos seguintes a maratona tinha distâncias variadas, sempre próximo dos 40 km. Porém, em 1908 durante os Jogos Olímpicos de Londres, para que a família real pudesse assistir o início da corrida do jardim do Palácio de Windsor, a distância foi alterada para 42,195 km, distância que permanece até hoje.



Fontes:

Info Escola, Maratona. Disponível em <http://www.infoescola.com/esportes/maratona/>. Acessado em 26 de janeiro de 2016.

Info Escola, Guerras Médicas. Disponível em <http://www.infoescola.com/historia/guerras-medicas/>. Acessado em 26 de janeiro de 2016.

Wikipédia, Atletismo Jogos Olímpicos de Verão de 1896, Maratona Masculina. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Atletismo_nos_Jogos_Ol%C3%Admpicos_de_Ver%C3%A3o_de_1896_-_Maratona_masculina>. Acessado em 26 de janeiro de 2016.

Uol, Mudança Aristocrática. Disponível em <http://olimpiadas.uol.com.br/historia-das-olimpiadas/londres-1908/curiosidades>. Acessado em 26 de janeiro de 2016.

Wikipédia, Spartathlon. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Spartathlon>. Acessado em 27 de janeiro de 2016.

Imagem:

1 - Disponível em: <http://300spartanwarriors.blogspot.com.br/2015/05/300-spartans-on-thursdays-2015-5.html>. Acessado em 27 de janeiro de 2016.