1966, um passo da mulher na corrida


Desde o início da história humana, a mulher sempre foi privada de certos privilégios, funções, lazeres, etc. e acompanhamos no decorrer da história que foram muitas as lutas por direitos e condições iguais, lutas que persistem até os dias de hoje.

Com a corrida não foi diferente, assim como nos jogos olímpicos, as corridas, inicialmente só poderiam ser competidas por homens. Foi então que em 1966, aos poucos tudo começou a mudar. Neste ano, Roberta Gibb tentou se inscrever na maratona de Boston, mas teve a inscrição recusada, pois os organizadores alegaram que seria impossível uma mulher completar tal prova. Como não foi oficialmente aceita, Roberta ficou atrás de arbustos e entrou na corrida quando parte dos atletas já tinham passado pela largada da prova, ela tentou se esconder em trajes masculinos, mas foi logo reconhecida pelos participantes, que para seu espanto a apoiaram e incentivaram, assim, ela concluiu a prova em torno de 3h21m. Roberta participou da corrida nos 2 anos seguintes, também de forma extraoficial.

Roberta Gibb durante a Maratona de Boston em 1966

Um ano depois, em 1967 e também na maratona de Boston, outra mulher decidiu entrar para a história das corridas e da luta pelo direito da mulher. Kathrine Switzer, com apenas 20 anos, se tornou a primeira mulher a correr uma maratona com um número oficial. Isso tudo por um pequeno “deslize” da organização, que ao divulgar a competição e as regras, não fizeram nenhuma restrição à participação de uma mulher na corrida, desta forma Kathrine se inscreveu na corrida como K. V. Switzer, o que ajudou a organização a não reconhecer uma mulher entre os corredores até o momento da largada.

No início da corrida Kathrine teve o apoio de alguns participantes, mas foi a organização que não gostou nada da sua presença e tentou expulsá-la da prova ainda nos primeiros quilômetros, quando um fiscal tentou tirá-la da corrida à força. Porém, o seu namorado Tom Miller, com 115 kg, conseguiu empurrar o fiscal, deixando assim Kathrine, com seu número de peito 261, com o caminho livre para que concluísse a prova em torno de 4h20m. Mesmo inscrita e concluindo a prova Kathrine acabou tendo a sua presença não confirmada oficialmente pela organização da prova.

Kathrine Switzer durante a Maratona de Boston em 1967

Apesar de toda a repercussão e de terem concluído a prova, Roberta e Kathrine, não conseguiram convencer a organização da capacidade e da força feminina e foi somente em 1972 que as mulheres de fato foram aceitas e reconhecidas como maratonistas, podendo assim participar oficialmente dos eventos, com direito a número de peito e premiação.

Desde então, a participação feminina nas corridas de rua e maratonas tem aumentado constantemente, na maratona do Rio, em 2015, por exemplo, as mulheres foram quase metade dos participantes na prova de 21 km, aproximadamente 30% na prova de 42 km e cerca de 63% na prova de 6 km¹. Esses números apenas evidenciam a força e a capacidade da mulher, elas continuam fazendo jus a tudo o que vem conquistando e a tudo que ainda conquistarão.

Feliz dia Internacional da Mulher!

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1 - Máquina do esporte, Maratona do Rio vê crescimento acentuado de participação feminina. Disponível em <http://maquinadoesporte.uol.com.br/artigo/maratona-do-rio-ve-crescimento-acentuado-de-participacao-feminina_28704.html>. Acessado em 07 de março de 2016.

Referência:

Globo esporte, Kathrine Swizer: conheça a primeira mulher a correr a Maratona de Boston. Diposnível em <http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/noticia/2012/03/fique-por-dentro-da-historia-da-atleta-americana-que-aos-20-anos-desafiou-regras-da-organizacao-da-prova-e-foi-quase-expulsa-por-um-dos-diretores.html>. Acessado em 07 de março de 2016.

Guia do estudante. Disponível em <http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/curiosidades-historicas/tag/dia-da-mulher/>. Acessado em 07 de março de 2016. 

Wikipédia, Maratona de Boston. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Maratona_de_Boston>. Acessado em 07 de março de 2016.

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